Futeblog-Penélope Toledo

Um blog com informações, discussão e desabafos sobre futebol, que tenta pensar o esporte e não apenas descrevê-lo. Tudo isso, claro, com a linguägem apaixonada do torcedor. "O pior cego é o que só vê a bola" (Nélson Rodrigues)

Futeblog-Penélope Toledo

Um blog com informações, discussão e desabafos sobre futebol, que tenta pensar o esporte e não apenas descrevê-lo. Tudo isso, claro, com a linguägem apaixonada do torcedor. "O pior cego é o que só vê a bola" (Nélson Rodrigues)
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Terra Blog

Arquivo de: Agosto 2006

28.08.06

O GOL



Sua majestade, o gol

    Não conheço ninguém em sã consciência que discorde que o gol é o momento mais bonito e esperado do espetáculo futebolístico. Nenhuma das emoções humanas é mais singular do que a magia inexplicável de se encher o pulmão de oxigênio e gritar com todas as forças, alegrias e fúrias reunidas: “É gooooooooooooool!!!”. Um berro inumado e com alto poder rejuvenescedor, capaz de curar até mesmo moléstias em estados terminais. Poder extravasar aquele grito que estava atravessado na garganta e fazia doer o peito é, pois, um dos momentos mais transcendentes da vida humana. O gol é sagrado.

    Por que, então, nos contentamos em vivenciar esse estado de êxtase em tão raras oportunidades? Por que aceitamos submissamente a miséria de vibração que nos é oferecida durante as partidas de futebol e agradecemos as migalhas? O torcedor de basquete, vôlei ou futebol de salão na certa deve nos (des)qualificar como masoquistas, afinal, não deve ser lógico uma criatura em sã consciência comemorar tão poucas vezes durante um jogo de noventa minutos. Mas alguém aí já parou para se perguntar se não teriam eles razão? E, caso sim, alguém mais, além de mim, também chegou à conclusão de que sim?

    Tudo bem que o que torna o gol tão especial é a longa expectativa que provoca no torcedor que, a cada lance, suspira profundamente e repete para si mesmo: “é agora” - e, mesmo que não seja, se recarrega de fé e esperança para, no lance seguinte, acreditar que desta vez ninguém há de impedir a rede de balançar. Tudo bem que o gol se banalizaria se acontecesse a cada dez ou quinze minutos mas, daí a acreditar que uma média de menos de três tentos por partida, como é o caso deste Campeonato Brasileiro, é algo plausível ou razoável, ah, aí já é meio demais. Achar normal que um jogador que abandonou a competição há cinco rodadas termine o primeiro turno como artilheiro, é virar às costas para o esporte bretão. E isto eu não faço.

    O primeiro passo é, naturalmente, buscar se entender os motivos para a escassez. A falta de goleadores, decorrente da quantidade desenfreada de boleiros que se transferem para o futebol internacional, sem que sejam eqüitativamente repostos em seus clubes, é uma. Mas seria demasiado simplista acreditar que isso explica tudo, afinal, quem acompanha os torneios pelo mundo afora sabe que a miserabilidade de gols é generalizada. Assim, mais do que artilheiros que empurrem a bola para o fundo do gol, o que falta são esquemas de jogo que priorizem isto.

    A Fifa, após a Copa do Mundo (que também teve médias pífias), cogitou a possibilidade ampliar a extensão das traves como meio de sanar o problema. Valeu pela tentativa, claro. Mas se a filosofia de jogo dos treinadores não mudar, ela se mostrará ineficiente. Hoje em dia, os times entram em campo com esquemas táticos excessivamente defensivos, muito mais com o objetivo de não sair em desvantagem no placar do que de propriamente balançar a rede e proporcionar a euforia das arquibancadas. Em outras palavras, o espaço entre as tarves pode ser gigantesco que, se as equipes não atacarem e o meio-de-campo não criar jogadas ofensivas, o gol não sai. Não adianta.

    É necessário que se pense formas de se estimular a goleada – fazendo-a valer mais pontos do que placares enxutos, por exemplo – para que a grande magia do futebol não se extingüa definitivamente. Mais que isso, é preciso que se compreenda, de uma vez por todas, que o gol é a grande alegria do futebol. Se continuar sendo tratado como mero coajuvante, e não mais como o ator principal do acontecimento futebolístico, vibrar com a emoção ímpar de se ver a rede balançando será, num futuro não muito distante, um acontecimento lendário.
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  • Postado em 20:09:37

25.08.06

O FISIOTERAPEUTA




A árdua tarefa de devolver o atleta aos gramados

    É ele quem está presente no momento mais difícil da carreira do atleta: quando se contunde e fica fora dos gramados. É ele, também, quem devolve ao boleiro o seu bem mais precioso: a possibilidade de jogar futebol. Estamos falando, é claro, do fisioterapeuta – aquele profissional que trabalha intensivamente de manhã, tarde, noite, domingos e feriados, para permitir que o jogador volte a dar alegrias ao torcedor. Mas o que será que pensam os fisioterapeutas que atuam no futebol?

    Para representar esta categoria de profissionais, nada melhor do que saber o que tem a dizer um de seus principais expoentes no Brasil: Luiz Alberto Rosan, fisioterapeuta da Seleção Brasileira e do São Paulo Futebol Clube. O trabalho vitorioso de Rosan é feito de ciência - que utiliza os recursos da eletroterapia, laserterapia e fisiologia, - paciência e repetição. Outro ingrediente indispensável na prática do fisioterapeuta da seleção é, sem dúvida, a paixão.

    Rosan é profundo admirador deste apaixonante esporte denominado futebol.

FUTEBLOG: Como é o trabalho que você desenvolve no futebol?
LUIZ ALBERTO ROSAN: A fisioterapia é a mais nobre das profissões, porque devolve o paciente às suas atividades normais. No futebol isso tem que ser feito de uma maneira rápida, porque a cobrança é enorme por parte da torcida, diretoria, mídia... Nós, fisioterapeutas, somos os que mais trabalhamos em uma equipe: tratamento intensivo pela manhã, tarde, noite, aos sábados, domingos e feriados. Nenhum outro membro da comissão tem uma atividade tão intensa.

FUTEBLOG: Você gosta mesmo de futebol ou começou a atuar no esporte "por acaso"?
LUIZ ALBERTO ROSAN: Sim, eu gosto. O futebol é a maior democracia existente no planeta: ninguém sobrevive se não possuir um mínimo de talento. Nenhum outro esporte é mais emocionante, nenhum outro esporte congrega tantos ideais. O futebol é a verdadeira representatividade da paixão existente no homem.

FUTEBLOG: Como é a tua relação com os jogadores, técnico e
dirigentes?
LUIZ ALBERTO ROSAN: Estritamente profissional. Procuro fazer valer a importância da fisioterapia para o futebol, seja com atletas dirigentes ou comissão técnica como um todo.

FUTEBLOG: Você se sente vivendo "à sombra" dos jogadores?
LUIZ ALBERTO ROSAN: Não. Os astros são os atletas e quem pensar o contrário estará fadado ao fracasso. O fisioterapeuta não deve querer ser mais, deve é fazer o seu trabalho bem feito, o que já é muito difícil, e os atletas ficarão a mercê de seus cuidados. É interessante porque, quando lesados, é o fisioterapeuta que eles procuram. Às vezes, altas horas da madrugada eu recebo ligações do exterior pedindo orientações ou ajuda para um tratamento. Portanto, o segredo do sucesso é você não querer aparecer mais do que o necessário para desenvolver a prática dos recursos da fisioterapia.

FUTEBLOG: Em algum momento da tua vida você desejou ser jogador de futebol?
LUIZ ALBERTO ROSAN: Sim, na adolescência. Porém, logo percebi que não tinha talento. Foi quando decidi seguir para uma profissão que pelo menos me aproximasse mais do futebol

FUTEBLOG: Qual é a média de valor da remuneração do fisioterapeuta no futebol?
LUIZ ALBERTO ROSAN: Confesso que não sei a média do pessoal dos outros clubes, mas normalmente é pouco pelo que fazem e pelas responsabilidades de tratar de verdadeiros diamantes. No meu caso dizem que ganho muito, mas sempre acho que mereço mais.

FUTEBLOG: Como você foi selecionado para atuar na seleção
brasileira?
LUIZ ALBERTO ROSAN: Busquei, perseverei, sofri, mas nunca desisti. Lutei minha vida inteira pela profissão, por um lugar neste meio, pelo seu reconhecimento. Trabalhei com mais de 50 treinadores, que conhecem meu trabalho e minha metodologia. Fui subindo degrau por degrau, ousando e arriscando sempre, até os dias de hoje. Não fiz lobby com a mídia, não movi um dedo sequer para estar na seleção, foi acontecendo de maneira
natural...

FUTEBLOG: Existe alguma história marcante que você viveu no futebol?
LUIZ ALBERTO ROSAN: Tenho muitas histórias, daria até para fazer um livro. Mas aí teria que omitir o nome das pessoas, o que com certeza perderia a graça! Uma recente, quando o São Paulo F.C. se classificou para a Libertadores e um dos atletas, que já não se encontra mais no clube, vibrou intensamente dizendo que era sua chance de conhecer a Europa.

FUTEBLOG: E sobre a seleção brasileira, quais são as tuas recordações?
LUIZ ALBERTO ROSAN: Sobre a seleção eu às vezes me pego pensando que foi a mais bem planejada e organizada, e nem por isso obtivemos sucesso. Agora não tem mais jeito, é "página virada"...

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  • Postado em 17:33:25

24.08.06

A HERANÇA

categorias: CARIOCA, CARTOLAS


Até quando vai ser assim, Rio de Janeiro?

    Lendo e ouvindo informações sobre o enterro do ex-presidente da Federação Estadual de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj), Eduardo Viana, inevitavelmente me veio à cabeça aquela cena clássica – e até mesmo clichê – dos parentes reunidos no velório em torno do corpo do falecido milionário, chorando copiosamente - como se quisessem provar que a sua dor é maior do que a dos outros – e, por cima dos óculos escuros, entreolhando-se desconfiados, numa espécie de “guerra-fria” da disputa pela herança.

    Não é humor negro, falo sério. Como dizia a minha avó, “nem bem o sujeito desencarnou”, e as corridas de bastiores pela sucessão na presidência da Federação já começaram. Nem o sofrimento da família eles respeitaram. Nem mesmo a aura mista de morbidez e libertação dos cemitérios os intimidou. Nem o descanso profundo em que se encontravam os futuros vizinhos de Caixa d'Água foi motivo suficiente para adiar-lhes a necessidade de definirem nas mãos de quem estará o poder de agora em diante. A paz perpétua dos mortos foi incomodada pelos cochichos e conversas de corredoredor.

    Triste é saber que essa pressa toda não é em preocupação ao futebol carioca, que agoniza e se não for urgentemente socorrido, em breve fará companhia ao seu ex-presidente – e nem vou falar da contribuição do dito cujo para a crônica situação atual do esporte bretão no Rio, porque prefiro deixá-lo subir ou descer em paz, com todo o respeito.

    O mais trágico de tudo é constatar que a urgência em se definir entre Rubinho (Rubens Lopes), o vice-presidente, Hildo Nejar, o preferido de Viana, ou a convocação de novas eleições não tem como objetivo central a recuperação do esporte no Estado, mas a pura e simples tomada do poder por um grupo ou por outro. O que está em jogo não são dois projetos antagônicos de planejamento e investimento – palavras que, talvez, sequer pertençam ao vocabulário dos personagens em questão – e sim a rivalidade dos que anseiam por mais poder e influência no futebol carioca.

    Diante de duas possibilidades tão entranhadamente semelhantes entre si, salvo pequenos detalhes, e que significam nada além do continuísmo à administração anterior, que sabidamente apresentava "falhas" - para não provocar a ira dos que se foram - fica difícil acreditar que o futebol carioca tem a possibilidade de renascer agora.

    Vai demorar algum tempo, ainda, para que o torcedor possa estufar o peito e dizer com orgulho: "a cartolagem do meu Estado atua com seriedade". A sorte é que seus vizinhos também não têm tido lá muito o que comemorar e, nivelamento-se por baixo, não vai ser surpresa sealgum time do Rio chegar en tre os primeiros.
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  • Postado em 17:47:56

19.08.06

A DONA


Os 'donos' do Futebol


 

         Era uma vez um esporte – ou seria religião? - chamado futebol. Seu magnetismo era tão grande, mas tão grande, que ele arrastava consigo uma multidão apaixonada, capaz dos mais infindáveis sacrifícios. O futebol a essa época, dizem, era uma substância coletiva e universal. Até o dia em que resolveram transformá-lo em negócio, determinando inclusive os seus horários. Independentemente de seus devotos. E é assim até hoje.


       Na última vez em que fui ao Maracanã, às dez horas da noite, comecei a me questionar se é justo que um jogo comece naquele horário tardio, só porque a programação televisiva não tem espaço para ele antes disso. Me perguntei se era lógico as pessoas passarem pelo perigo de sair do estádio depois da meia-noite, correndo o risco de serem assaltadas e até mesmo estupradas, simplesmente porque alguém se acha no direito de ser intransigente.


         Pensei no meu constrangimento de atravessar a ponte Rio-Niterói àquela hora e, solidariamente, no público que acompanhava Internacional–RS X São Paulo - e se a Libertadores fosse definida nos pênaltis, o que seria daquela pessoas?!? Quanto mais eu confrontava esta absurda realidade, mais e mais fui percebendo que é inadmissível que o futebol tenha dono, e que este(s) dono(s) despreze(m) assim, tão gritantemente, os interesses e direitos do torcedor.

 

              Uma partida que começa assim tão tarde não é para as crianças, que geralmente dormem cedo. Também não é para as mulheres, pelo menos não para mulheres que optam por não depender da boa-vontade alheia para fazerem os seus programas. Não é, claro, para quem mora distante do estádio e tem que ficar horas esperando no ponto de ônibus. E, naturalmente, um jogo que termina no dia seguinte não pensa no trabalhador, que acordará cedo para encarar mais uma dura jornada – e só terá tempo para recuperar o sono perdido no domingo, depois de três dias de exaustão. Para quem, então, é jogado o futebol brasileiro?

 

         Evidentemente que poder-se-á argumentar: “oras, assista pela televisão”. Bingo! Taí, é simples, é só assistir pela televisão! Claro que não haverá a energia vibrante peculiar das arquibancadas e tampouco a sensação ímpar da troca de vibrações com os ídolos em campo mas... e daí? Pode-se acompanhar o espetáculo em casa, com o conforto que só mesmo a sala da gente tem e, de quebra, assistir às emoções do capítulo da novela.


            Nada contra ver às partidas pela TV, longe de mim. Ao contrário, a televisão dispõe de recursos técnicos altamente evoluídos, que nos permitem esclarecer as dúvidas nos lances polêmicos e ter acesso aos gols e melhores momentos de confrontos que acontecem simultaneamente. Tenho contra, sim, a falta de escolha que os horários “corujinhas” acarretam. E aos perigos e sacrifícios que eles nos impõem.


          Mesmo que grande parte dos torcedores opte - quaisquer que sejam seus motivos - por assistir ao clube do coração à distância, é importante proporcionar-lhe esta possibilidade de escolha. É imprescindível que se lhe garanta a sua condição de ser racional capaz de influir sobre suas próprias ações e, mais, que isso, que se lhe viabilize o exercício de sua escolha. Suponhamos que o sujeitinho decida ir pessoalmente, em carne-e-osso, ao estádio. É preciso que haja segurança, dentro e fora do campo, para que ele possa efetivamente exercer o seu direito de torcedor.

 

          Oras, se nem nas dependências do estádio há garantias de integridade física, quem é que vai ser maluco em apostar nela longe dali, onde os holofotes não iluminam Assim, lamento constatar que em um jogo que começa às dez da noite, o direito inalienável do torcedor em acompanhar o seu time está lhe sendo - parcial ou totalmente - tolhido.

 

           Assim como é também tolhido o direito de quem não gosta de futebol em manter-se alheio, afinal, mesmo quem nunca pisou em um estádio é obrigado a perder o sono quando o time da casa balança a rede, tamanha é a algazarra de quem gosta. Isso sem falar quando a comemoração invade a madrugada... Não gostar de futebol é, definitivamente, uma opção que não compreendo. Mas respeito. E defendo ("até a morte", como diria Voltaire) este direito, Sinto profundamente pelos sonhos interrompidos com a nossa festa.

  • criado por  petoledo criado por petoledo
  • Postado em 19:37:10

17.08.06

O PRÊMIO



Nada acontece por acaso

    Quando afirmo que nada acontece por acaso, não estou me referindo a um suposto fatalismo da vida, em que os destinos estão traçados e pré-determinados, antes mesmo das pessoas nascerem. Como se o que tivesse que acontecer, acontecesse, sem que a ação humana - consciente ou não - pudesse interferir, evitar ou modificar a trajetória dos fatos.

    Há quem acredita nisto; e eu respeito. Mas não posso conceber a idéia que estava escrito nas estrelas que, um dia, a América do Sul seria pintada de vermelho, mas não mais pelo sangue derramado de seus povos historicamente massacrados, e sim com a brava conquista da Libertadores pelo Colorado. Independente de ser obra dos deuses ou dos homens, porém, o time do Inter mereceu a vitória e é com justiça o Dono das Américas.

    De qualquer forma, continuo insistindo que nada acontece por acaso. E explico: tudo é resultado de esforços, canalização de energias, entregas e renúncias, além de um minuncioso planejamento. O Internacional-RS não foi campeão porque “aconteceu e pronto”, ao contrário, a turma teve que, literalmente, suar a camisa para ganhar a passagem para Tóquio, onde disputará a final do Mundial de Clubes, contra o Barcelona.

    O próprio São Paulo, que desta vez não faturou, não chegou longe assim à toa. E, justiça seja feita, perdeu de cabeça erguida, lutando heroicamente até o último segundo. Me surpreendeu por não se abater com os gols sofridos, que aumentavam ainda mais a sua desvantagem, indo, por duas vezes, buscar o empate. O que, aliás, valoriza o título dos gaúchos.

    Não faz muito tempo, elogiei aqui o trabalho de preparação e investimento que está sendo realizado nestas duas equipes (“Derrubar mitos: a fórmula da vitória”, em O EXEMPLO). Na ocasião, me entusiasmei pela boa conciliação dos dois torneios, isto é, por estes clubes fazerem bonito tanto na Libertadores, quanto no Brasileirão, não priorizando nenhum. O resultado foi o campeão e o vice em um e, inversamente, o primeiro e o segundo colocado no outro, de forma que as duas equipes entraram em campo, ontem, com a tranqüilidade de saber que, mesmo perdendo, devem estar de volta à Sul Americana do ano que vem. É, não pode ser por acaso.

    Assim como não é por acaso que Inter e São Paulo têm sempre figurado entre os primeiros nos últimos anos e conquistados títulos impotantes, para o delírio de suas torcidas. Ronaldinho que me perdoe, mas arrisco dizer que do jogo de ontem saiu o novo campeão do mundo. Fazer o que se a bola prefere os clubes brasileiros?

    É, vai ser mesmo muito bonito ver o planeta todo reluzindo em vermelho. E, quando isso acontecer, o Brasil vai mostrar mais uma vez ao mundo inteiro que o futebol é bem mais bonito e vibrante do que eles supõem. Vai lá, Inter, vai para o Japão e ensina esse povo como é que se joga bola de verdade. Vai, Inter, e apresenta a esses pobres mortais o futebol-arte, em toda a sua magia e esplendor - porque eles não o conhecem. Vai lá, Colorado, porque nosso país é muito pequeno para a tua maestria. Que venha, então, a conquista do mundo!

 

OBS: Mas o trabalho acertado tem que ter seqüência. O planejamento vitorioso precisa prosseguir, para trazer mais alegrias ao torcedor e para impulsionar os outros clubes - e seleção canarinha! - a fazerem o mesmo: trabalhar visando metas claras e bem definidas.

Sendo assim, torço para que Inter e Sampa não desfaçam seus elencos agora que o passe dos jogadores está valorizado. Mas, confesso, tenho certa dificuldade em crer nisso.
  • criado por  petoledo criado por petoledo
  • Postado em 18:05:17