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O 12° jogador
Em fila indiana, os jogadores entram em campo. Um-a-um. Quando se voltam para as arquibancadas, porém, a surpresa: está completamente vazia. Cadê os torcedores? Não vieram. Assustados, os atletas se entreolham. E agora, para quem eles vão jogar? Quem vai fazer a festa do outro lado do alambrado? Quem vai vibrar quando a equipe marcar o gol? Quem vai “empurrar” o time, quando o adversário estiver mais forte? Quem é que vai, afinal, fornecer energias para os craques dentro de campo?! Cabisbaixos, os jogadores abandonam o gramado: não haverá mais jogo. Sem o torcedor, o espetáculo não existe.
A torcida é tão importante em um partida de futebol, que convencionou-se chamá-la de 12º jogador. Sua presença é tão forte, que passa a impressão de estar dentro de campo, e os boleiros garantem que ela é capaz de reverter o placar de um jogo. Dois jogos – coincidentemente ou não, das duas maiores torcidas do Brasil – ilustraram, neste final de semana, o quão decisiva pode ser a massa, quando toma as arquibancadas decidida a ajudar o time.
No Maracanã, mais de 40 mil flamenguistas compareceram para dar as “boas-vindas” ao eterno ídolo Sávio que, depois de quase dez anos, retorna ao time da Gávea disposto reviver os momentos de alegria. Após um jogo disputado, aos 44 minutos do segundo tempo, Obina marcou e corou a festa da torcida, ajudando o time a suspirar aliviado. A massa rubro-negra foi embora feliz, e com a certeza de ter batidoum bolão.
Do outro lado da Dutra, a nação corinthiana também marcou um golaço e foi, sem dúvida alguma, a melhor jogadora em campo na vitória alvinegra contra o Atlético-PR, quebrando o jejum de oito jogos sem conquistar os três pontos. Além de “enterrar” os responsáveis pela má campanha do clube, os 35 mil fiéis que ocuparam o estádio mais corinthiano do país não se calaram um segundo sequer, cantando e gritando palavras de incentivo ao time – nem mesmo a falha grotesca de Sebá, no lance do gol atleticano, desviou a massa do seu propósito de empurrar o time.
Aliás, eu havia dito aqui no Futeblog que sou contra a proibição das organizadas, porque esta é uma forma artificial e ineficaz de se combater a violência nos estádios - já que ela está na sociedade e apenas se reflete no futebol, assim como em qualquer outro contexto social. Agora, eu vou mais longe: defendo as uniformizadas porque elas são fundamentais no esporte bretão, seja para organizar os gritos de guerra e coreografias, seja por ser o – único! – mecanismo de reivindicação do torcedor que, por pagar o ingresso e apoiar sempre o time, tem pleno direito de cobrar-lhe melhores atuações.
OBS: as torcidas de São Paulo e Internacional-RS também têm cumprido exemplarmente o seu papel de 12° jogador, sobretudo nas partidas pela Libertadores, assim como os palmeirenses foram decisivos na heróica recuperação pós-Copa.