Futeblog-Penélope Toledo

Um blog com informações, discussão e desabafos sobre futebol, que tenta pensar o esporte e não apenas descrevê-lo. Tudo isso, claro, com a linguägem apaixonada do torcedor. "O pior cego é o que só vê a bola" (Nélson Rodrigues)

Futeblog-Penélope Toledo

Um blog com informações, discussão e desabafos sobre futebol, que tenta pensar o esporte e não apenas descrevê-lo. Tudo isso, claro, com a linguägem apaixonada do torcedor. "O pior cego é o que só vê a bola" (Nélson Rodrigues)
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Terra Blog

Arquivo de: Agosto 2006, 11

11.08.06

O PREJUÍZO



O alto preço da irresponsabilidade

    Tudo bem que, quando o jogo é em casa, a responsabilidade pesa. Tudo bem que, quando o jogo é decisivo, a vontade de vencer é grande demais. Tudo bem que, quando o jogo está disputado, o sangue esquenta. Mas o jogador de futebol é um profissional, e não pode se deixar levar pelo calor do momento. O atleta precisa ter estrutura psicológica e emocional para perceber que a única forma de contribuir para a conquista do time é jogando um bom futebol. E para isso ele tem que estar em campo, não pode ser expulso.

    O boleiro receber o cartão vermelho porque dividiu um lance de forma mais dura, ou porque evitou uma situação real de gol é aceitável - embora controverso. O jogador ser colocado para fora de campo porque segurou o adversário que partia sozinho em contra-ataque ou porque fez pênalti bem na hora que o oponente ia chutar a gol, faz parte do jogo. Na equação futebolística, o prejuízo de atuar com um jogador a menos, em muitos casos, é menor do que o déficit de sofrer o gol. Portanto, ser expulso evitando a desvantagem no placar é um mérito, rotineiramente reconhecido e aplaudido pela torcida.

    Mas um jogador de futebol profissional ser expulso em jogo decisivo porque agrediu gratuitamente o adversário, em lance inofensivo e completamente distante do gol, ah, é inaceitável. Foi isso o que comprometeu a briga do Vasco da Gama pelo título da Copa do Brasil, já que a expulsão de Valdir Papel, logo aos 16 minutos de jogo, tornou ainda mais difícil a busca de uma vitória por três gols de diferença sobre o Flamengo.

    Foi isso, também, o que reconfigurou o jogo na final brasileira da Libertadores da América. Não me cabe aqui ficar tentando advinhar qual teria sido o placar, se Josué, do São Paulo, e Fabinho, do Inter-RS, não fossem expulsos. Mas uma coisa é certa: eles prejudicaram o seu time.

    Josué, porque o clube paulista começou o jogo atacando, e tinha tudo para partir para cima e sufocar o adversário, já que jogava em casa. Com a sua saída, porém, o meio de campo tricolor ficou gritantemente fragilizado (para não dizer aberto, escancarado). O resto da história os são-paulinos conhecem bem.

    E Fabinho, porque a equipe sulista perdeu a vantagem de estar com um jogador a mais em campo, o que seria altamente significativo no final do jogo, em que o cansaço pesa. Os gaúchos poderiam ter voltado para a casa com um placar mais elástico, para apenas carimbar a faixa de campeão ao lado de sua torcida. Do jeito que a situação está, agora, apontar antecipadamente o Inter como campeão seria muita imprudência. O título ainda não está definido. E poderia estar.

    Mas o prejuízo com a expulsão por violência gratuita não é só do time - que é obrigado a decidir com um atleta a menos, - só do técnico - que é levado a improvisar e nem sempre consegue bons resultados - ou só do próprio jogador - que além de ser multado, assisite ao jogo do vestiário. O prejuízo é do futebol.

    Porque agredir um colega de trabalho é antagônico à essência saudável do esporte. Quando isso acontece fora do contexto de jogo, então, é um crime hediondo, incompatível ao espetáculo. Não há argumentação plausível que justifique uma cotovelada, chute ou pisão depois do lance concluído. Pena que os clubes e as federações não punam rigorosamente os agresores e lhe cobrem pelo prejuízo ao time. E pena, também, que muitos torcedores apoiem este tipo de comportamento e encham a boca para dizer: “Fulano meteu porrada!!”.
  • criado por  petoledo criado por petoledo
  • Postado em 12:56:47

O VILÃO



O “vilão” da história
(Aristeu Leonardo Tavares - árbitro assistente na Copa-2006)

    Eles sempre estão errados. Se assinalam o pênalti, é porque estão roubando para o time A. Se não assinalam, oras, é claro que estão favorecendo o time B. Se expulsam o atleta por jogada violenta, querem é aparecer. Se não expulsam, meu Deus!, são coniventes com a violência. Se anulam o gol impedido, estão estragando o melhor da festa. Se não anulam, é porque foram comprados. Não adianta: o árbitro e seus auxiliares nunca têm razão.
 
    Atuam sempre entre a cuz e a espada e, ao menor sinal de desagrado à torcida, são obrigados a ecutar os mais escabrosos palavrões. Ladrão, urubu e f.d.p são alguns dos apelidos atribuídos ao trio de arbitragem; mas só alguns. Toda a gentileza vinda das arquibancadas – ou mesmo de dentro dos gramados – não caberia nesta folha. Mas, afinal, quem são e o que pensam esses eternos “vilões”?

    Quem vai responder isso para a gente é o bandeirinha Aristeu Leonardo Tavares que, juntamente com o colega Ednilson Corona e o juiz Carlos Eugênio Simon, representou a arbitragem brasileira na Copa do Mundo 2006, na Alemanha.


* FUTEBLOG: Tavares, quais são os pré-requisitos para alguém se tornar árbitro de futebol?
* ARISTEU TAVARES: Todos os árbitros devem fazer um curso que terá uma duração de acordo com a sua Federação. A do Rio de Janeiro, por exemplo, tem o curso da Univercidade (no Centro), que tem a duração de um ano e meio.

*FUTEBLOG: E como vocês são treinados?
* ARISTEU TAVARES: O treinamento é feito, no meu caso, sob a orientação de um preparador físico designado pela CBF, constando de variações de treinamentos de corridas, musculação e outras atividades enviadas por email e cumpridas à risca. A cada determinado período, o orientador faz avaliações médicas e físicas para verificar a efetividade do que tem sido aplicado.

* FUTEBLOG: Com que antecedência o trio de arbitragem precisa chegar ao estádio?
* ARISTEU TAVARES: Normalmente devemos chegar aos estádios duas horas antes do início dos jogos.

* FUTEBLOG: Qual é o valor médio de remuneraçõ para se apitar um jogo?
* ARISTEU TAVARES: O valor varia de torneio a torneio. Normalmente, o Campeonato Brasileiro oferece uma taxa melhor do que os estaduais.

* FUTEBLOG: Em algum momento da tua vida você sonhou em ser jogador de futebol?
* ARISTEU TAVARES: Não, em nenhum momento eu pretendi ser atleta profissional.

* FUTEBLOG: Como é que você se sente sendo constantemente ofendido por torcedores, técnicos e até mesmo jogadores?
* ARISTEU TAVARES: O xingamento aos árbitros faz parte do folclore do futebol. Só não admito que as ofensas extrapolem o espaço do campo de jogo, partindo para as ruas e outros lugares comuns.

* FUTEBLOG: O que você considera ser a maior dificuldade ao arbitrar uma partida?
* ARISTEU TAVARES: A maior dificuldade, com certeza, é a de ter que decidir em frações de segundo uma jogada, sem dispor dos recursos tecnológicos que os narradores de jogo e avaliadores têm à disposição.

* FUTEBLOG: Como é a tua relação com os atletas e treinadores, durante o jogo?
* ARISTEU TAVARES: A mais profissional possível.


* FUTEBLOG: Como foi feita a seleção para o trio de arbitragem da Copa do Mundo?
* ARISTEU TAVARES: A indicação é feita pela Confederação do país, no nosso caso da CBF, após uma análise do currículo e avaliações físicas e técnicas, além do "ranqueamento" dos possíveis escolhidos. O Brasil é um dos pucos países no mundo a ter dez árbitros e dez árbitros assistentes, sendo que destes somente um árbitro e dois assistentes foram selecionados para o mundial da Alemanha.

* FUTEBLOG: Você avalia que cometeu algum grande erro nesta Copa?
* ARISTEU TAVARES: Não houve erro da minha parte na Copa, segundo a avalizção dos intrutores lá presentes. E foi dito, de forma reiterada, que o ponto alto desta edição do Mundial foi justamente a atuação dos árbitrsos assistentes, que se equivocaram muito pouco.

  • criado por  petoledo criado por petoledo
  • Postado em 09:29:01