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Rio X Sampa
Na condição de paulista que mora no Rio de Janeiro, me sino à vontade para comparar os dois campeonatos que, cada qual a seu modo, muito me fascinam. E a exemplo do que acontece com os próprios Estados, o que me toca em cada um deles é justamente a diferença entre um e outro. No Rio de Janeiro gosto de contemplar as maravilhas naturais. Em São Paulo, de desfrutar dos encantos artificiais. No futebol carioca eu aprecio os grandes, que quando se enfrentam materializam o conceito de Clássico. No paulista, os pequenos, que constantemente surpreendem e dão forma à idéia de zebra.
Clássico e Zebra são dois ingredientes indispensáveis no esporte bretão. Sem eles a receita inevitavelmente desanda, e o futebol fica insoso. Óbvio demais. Evidente demais. Previsível demais.
Sim, é claro que a história do Carioca está repleta de Zebras, assim como a trajetória do Paulista inclui inúmeros Clássicos. Coisas da vida. Mas nos últimos tempos os grandes do Rio se equivalem, enquanto em São Paulo o time homônimo e o Santos levam vantagem (prova disso são os tabus). No Rio os pequenos pouco aparecem e quase não revelam talentos, mas em Sampa vez ou outra desbancam os favoritos (evidência disso são as conquistas na Copa do Brasil e o Brasileiro do Guarani em 1978).
O primeiro jogo das finais de cada Estado ilustra bem isso: um embate de arrepiar de um lado, e uma saborosa surpresa de outro (os santistas naturalmente devem discordar...). E não importa o que aconteça no próximo domingo, isto é, se o Clássico ou a Zebra estarão em campo novamente, eles já assinaram seus nomes nas competições e nos ensinaram mais uma vez que o futebol transcende a lógica. Mas, se quiserem dar as caras outra vez, serão muito bem-vindos.

Clássico é Clássico. E vice-versa
Imagine um jogo onde tudo pode acontecer. Onde a única certeza é a do espetáculo e ele sim, confirmou seu favoritismo. Imagine um duelo recheado de gols, bolas na trave, reações no minuto final de jogo, viradas sobre viradas, surpresas, tabus, revanches, recordes a serem alcançados e muita emoção. Lágrimas que se transformam em risos e certezas que se traduzem dúvidas. Imagine um confronto com belas jogadas, toques de classe, dribles desconcertantes, gols de encher os olhos. Em que bola á tratada com intimidade por quem fala o mesmo idioma. Imagine um embate onde uma multidão apaixonada se espreme atrás do alambrado com corações pulsando a mil. Torcendo com a alma. Sim, você está diante de um Clássico.
Os confrontos entre os grandes do Rio nesta temporada foram qualquer coisa de muito lindo, de muito mágico. Verdadeiras dádivas. Somaram, ao todo, oito encontros. E a elástica marca de 33 gols, fora as disputas de pênalti. Mais de quatro gols por partida. Jogos para entrar na História, sem dúvida. Botafogo e Flamengo abriram a série de Clássicos com chave de ouro: 3 a 3. Deram logo seu recado: clássico é clássico. Com direito a virada e gol de placa. Fluminense e Vasco acharam pouco três gols para cada. Queriam mais: 4 a 4.
Aí vieram as semifinais da Taça Guanabara e a promessa de um jogo dramático. A expectativa se confirmou e o empate em um gol levou a decisão para os pênaltis: Fla 3 a 1 Vasco. E dá-lhe tabu. Já pela Taça Rio, o Fluminense desperdiçou um pênalti e perdeu o jogo para o Botafogo por 1 a 0. Prova de quem nesse tipo de jogo o erro custa caro. Depois foi a vez do Gigante da Colina lavar a alma: 3 a 0 contra o algoz Rubro-Negro. Eis a redenção vascaína. O Tricolor também carimbou a faixa de campeão da Taça Guanabara conquistada pelo Flamengo: 2 a 1. Mas não foi de qualquer jeito não, foi de virada e com um gol aos 48 do segundo tempo.
E a festa prosseguiu. Botafogo 2, Vasco 0, e Romário sem o milésimo gol. Isso é para aprender que em Clássico não existem coadjuvantes, só protagonistas. Já deveriam saber disso. Semifinais e novamente o Glorioso e Gigante se viram frente a frente. A chance da vingança. Não aconteceu (nem o troco e nem o tal gol mil; por centímetros). No jogo 4 a 4 e dez de cada lado, nos pênaltis 4 a 1 Fogão. Nascia aí o campeão.
Enfim, é como dizem por aí: “Clássico é Clássico, e vice-versa”. A origem da frase é controversa, sua profecia é atribuída aos mais variados personagens mas, afinal, quem se importa com a imprecisão de algumas palavras diante da insensatez de um Clássico? Não importa quem criou a frase – e tampouco os Clássicos. O que vale são os gols, a emoção, o riso e choro que se alimentam desse imprevisto que só mesmo o futebol é capaz de proporcionar em doses tão embriagantes. Se eu fosse presidente, decretaria dia de Clássico como feriado nacional. E não quanto a isso eu não negocio.