Futeblog-Penélope Toledo

Um blog com informações, discussão e desabafos sobre futebol, que tenta pensar o esporte e não apenas descrevê-lo. Tudo isso, claro, com a linguägem apaixonada do torcedor. "O pior cego é o que só vê a bola" (Nélson Rodrigues)

Futeblog-Penélope Toledo

Um blog com informações, discussão e desabafos sobre futebol, que tenta pensar o esporte e não apenas descrevê-lo. Tudo isso, claro, com a linguägem apaixonada do torcedor. "O pior cego é o que só vê a bola" (Nélson Rodrigues)
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Terra Blog

Categoria: LIBERTADORES

17.08.06

O PRÊMIO



Nada acontece por acaso

    Quando afirmo que nada acontece por acaso, não estou me referindo a um suposto fatalismo da vida, em que os destinos estão traçados e pré-determinados, antes mesmo das pessoas nascerem. Como se o que tivesse que acontecer, acontecesse, sem que a ação humana - consciente ou não - pudesse interferir, evitar ou modificar a trajetória dos fatos.

    Há quem acredita nisto; e eu respeito. Mas não posso conceber a idéia que estava escrito nas estrelas que, um dia, a América do Sul seria pintada de vermelho, mas não mais pelo sangue derramado de seus povos historicamente massacrados, e sim com a brava conquista da Libertadores pelo Colorado. Independente de ser obra dos deuses ou dos homens, porém, o time do Inter mereceu a vitória e é com justiça o Dono das Américas.

    De qualquer forma, continuo insistindo que nada acontece por acaso. E explico: tudo é resultado de esforços, canalização de energias, entregas e renúncias, além de um minuncioso planejamento. O Internacional-RS não foi campeão porque “aconteceu e pronto”, ao contrário, a turma teve que, literalmente, suar a camisa para ganhar a passagem para Tóquio, onde disputará a final do Mundial de Clubes, contra o Barcelona.

    O próprio São Paulo, que desta vez não faturou, não chegou longe assim à toa. E, justiça seja feita, perdeu de cabeça erguida, lutando heroicamente até o último segundo. Me surpreendeu por não se abater com os gols sofridos, que aumentavam ainda mais a sua desvantagem, indo, por duas vezes, buscar o empate. O que, aliás, valoriza o título dos gaúchos.

    Não faz muito tempo, elogiei aqui o trabalho de preparação e investimento que está sendo realizado nestas duas equipes (“Derrubar mitos: a fórmula da vitória”, em O EXEMPLO). Na ocasião, me entusiasmei pela boa conciliação dos dois torneios, isto é, por estes clubes fazerem bonito tanto na Libertadores, quanto no Brasileirão, não priorizando nenhum. O resultado foi o campeão e o vice em um e, inversamente, o primeiro e o segundo colocado no outro, de forma que as duas equipes entraram em campo, ontem, com a tranqüilidade de saber que, mesmo perdendo, devem estar de volta à Sul Americana do ano que vem. É, não pode ser por acaso.

    Assim como não é por acaso que Inter e São Paulo têm sempre figurado entre os primeiros nos últimos anos e conquistados títulos impotantes, para o delírio de suas torcidas. Ronaldinho que me perdoe, mas arrisco dizer que do jogo de ontem saiu o novo campeão do mundo. Fazer o que se a bola prefere os clubes brasileiros?

    É, vai ser mesmo muito bonito ver o planeta todo reluzindo em vermelho. E, quando isso acontecer, o Brasil vai mostrar mais uma vez ao mundo inteiro que o futebol é bem mais bonito e vibrante do que eles supõem. Vai lá, Inter, vai para o Japão e ensina esse povo como é que se joga bola de verdade. Vai, Inter, e apresenta a esses pobres mortais o futebol-arte, em toda a sua magia e esplendor - porque eles não o conhecem. Vai lá, Colorado, porque nosso país é muito pequeno para a tua maestria. Que venha, então, a conquista do mundo!

 

OBS: Mas o trabalho acertado tem que ter seqüência. O planejamento vitorioso precisa prosseguir, para trazer mais alegrias ao torcedor e para impulsionar os outros clubes - e seleção canarinha! - a fazerem o mesmo: trabalhar visando metas claras e bem definidas.

Sendo assim, torço para que Inter e Sampa não desfaçam seus elencos agora que o passe dos jogadores está valorizado. Mas, confesso, tenho certa dificuldade em crer nisso.
  • criado por  petoledo criado por petoledo
  • Postado em 18:05:17

11.08.06

O PREJUÍZO



O alto preço da irresponsabilidade

    Tudo bem que, quando o jogo é em casa, a responsabilidade pesa. Tudo bem que, quando o jogo é decisivo, a vontade de vencer é grande demais. Tudo bem que, quando o jogo está disputado, o sangue esquenta. Mas o jogador de futebol é um profissional, e não pode se deixar levar pelo calor do momento. O atleta precisa ter estrutura psicológica e emocional para perceber que a única forma de contribuir para a conquista do time é jogando um bom futebol. E para isso ele tem que estar em campo, não pode ser expulso.

    O boleiro receber o cartão vermelho porque dividiu um lance de forma mais dura, ou porque evitou uma situação real de gol é aceitável - embora controverso. O jogador ser colocado para fora de campo porque segurou o adversário que partia sozinho em contra-ataque ou porque fez pênalti bem na hora que o oponente ia chutar a gol, faz parte do jogo. Na equação futebolística, o prejuízo de atuar com um jogador a menos, em muitos casos, é menor do que o déficit de sofrer o gol. Portanto, ser expulso evitando a desvantagem no placar é um mérito, rotineiramente reconhecido e aplaudido pela torcida.

    Mas um jogador de futebol profissional ser expulso em jogo decisivo porque agrediu gratuitamente o adversário, em lance inofensivo e completamente distante do gol, ah, é inaceitável. Foi isso o que comprometeu a briga do Vasco da Gama pelo título da Copa do Brasil, já que a expulsão de Valdir Papel, logo aos 16 minutos de jogo, tornou ainda mais difícil a busca de uma vitória por três gols de diferença sobre o Flamengo.

    Foi isso, também, o que reconfigurou o jogo na final brasileira da Libertadores da América. Não me cabe aqui ficar tentando advinhar qual teria sido o placar, se Josué, do São Paulo, e Fabinho, do Inter-RS, não fossem expulsos. Mas uma coisa é certa: eles prejudicaram o seu time.

    Josué, porque o clube paulista começou o jogo atacando, e tinha tudo para partir para cima e sufocar o adversário, já que jogava em casa. Com a sua saída, porém, o meio de campo tricolor ficou gritantemente fragilizado (para não dizer aberto, escancarado). O resto da história os são-paulinos conhecem bem.

    E Fabinho, porque a equipe sulista perdeu a vantagem de estar com um jogador a mais em campo, o que seria altamente significativo no final do jogo, em que o cansaço pesa. Os gaúchos poderiam ter voltado para a casa com um placar mais elástico, para apenas carimbar a faixa de campeão ao lado de sua torcida. Do jeito que a situação está, agora, apontar antecipadamente o Inter como campeão seria muita imprudência. O título ainda não está definido. E poderia estar.

    Mas o prejuízo com a expulsão por violência gratuita não é só do time - que é obrigado a decidir com um atleta a menos, - só do técnico - que é levado a improvisar e nem sempre consegue bons resultados - ou só do próprio jogador - que além de ser multado, assisite ao jogo do vestiário. O prejuízo é do futebol.

    Porque agredir um colega de trabalho é antagônico à essência saudável do esporte. Quando isso acontece fora do contexto de jogo, então, é um crime hediondo, incompatível ao espetáculo. Não há argumentação plausível que justifique uma cotovelada, chute ou pisão depois do lance concluído. Pena que os clubes e as federações não punam rigorosamente os agresores e lhe cobrem pelo prejuízo ao time. E pena, também, que muitos torcedores apoiem este tipo de comportamento e encham a boca para dizer: “Fulano meteu porrada!!”.
  • criado por  petoledo criado por petoledo
  • Postado em 12:56:47