Futeblog-Penélope Toledo

Um blog com informações, discussão e desabafos sobre futebol, que tenta pensar o esporte e não apenas descrevê-lo. Tudo isso, claro, com a linguägem apaixonada do torcedor. "O pior cego é o que só vê a bola" (Nélson Rodrigues)

Futeblog-Penélope Toledo

Um blog com informações, discussão e desabafos sobre futebol, que tenta pensar o esporte e não apenas descrevê-lo. Tudo isso, claro, com a linguägem apaixonada do torcedor. "O pior cego é o que só vê a bola" (Nélson Rodrigues)
<  Fevereiro 2008  >
S T Q Q S S D
        1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 29    
Receba os posts
Terra Blog

Categoria: CARIOCA

15.05.07

OS PÊNALTIS



Sentença

          Priiiiiiiiiiiii!, apita o juiz, o jogo acabou. Empate. E agora, quem é o campeão? Quem é que vai levantar a taça e dar a volta olímpica? Qual é a equipe que vai posar para a foto que se tornará pôster e estampará as capas dos principais jornais no dia seguinte? De qual time será o jogador que concederá entrevista na condição de herói do jogo e irá chorar emocionado diante das câmeras agradecendo ao apoio da família, da torcida e de Deus? Afinal, qual das duas torcidas que se insultam incansavelmente em lados opostos das arquibancadas vai festejar até o dia amanhecer?

       Ciente da necessidade de eleger um campeão, o árbitro convoca para junto de si o capitão de cada equipe. ”Eu quero cara”. “Tá, então eu sou coroa”. A moeda é arremessada ao céu. Cara-coroa-cara... o mundo dá mil voltas. Segundos com sabor de eternidade. A pequena placa metálica que rodopia pelos ares significa o êxtase ou a maldição de duas multidões devotas que têm naquela utopia a sua razão de viver. Significa também a glória ou a desgarça dos jogadores, a consagração ou o fracasso moraldo treinador, a coroação ou a demolição do trabalho que em muitas vezes se deu a duras penas.

          A moeda não baila sozinha pelo espaço. Carrega consigo a campanha impecável do time na competição, a longa seqüência de partidas invictas, o topo da tabela de classificação em todas as rodadas, a soma majoritária de pontos durante o torneio. Carrega a história do clube, as tantas derrotas amargadas, as outras tantas vitórias extravasadas, todos heróis santificados ou sacrificados, cada torcedor que, qualquer que seja sua lógica, abdicou de si prórpio em nome daquela paixão. Se cair a face errada, será o fim. Terá sido tudo em vão.

      E cada vez mais pesada com as responsabilidades que herda, a moeda vai perdendo a sua força. As voltas no ar vão diminuindo até que o espetáculo chega ao fim. Todos os olhos do mundo estão fixos na mesma direção. E eis que o juiz destapa a face que consagrará o vencedor. Deu... cara. O time A é o campeão! Euforia de um lado e dor do outro. O campeonato acabou e o time A levou o caneco. Fim. Nada mais pode ser feito, foi assim que o Céu quis.

      O jogador que escolheu coroa, coitado, é massacrado. Decisão infeliz a dele. Os insultos vêm de todos os lados: torcedores, imprensa, treinador e até os companheiros de equipe, que travestem a raiva pela perda do título em palavras de apoio. “Fica assim não, acontece. Só erra o 'cara-ou-coroa' quem arrisca”. E agora, como será? Com que 'cara' sair às ruas no dia seguinte? Como encarar os próprios filhos quando chegar em casa. Haverá a oportunidade de um dia ressarcir o clube pelo vexame?

          É evidente que uma decisão de campeonato não pode ser destinada aos caprichos de uma moeda. Ao jogo de 'sorte ou azar'. Mas a partida terminou empatada e a Federação não aceita dois campeões. Nem a torcida. Marcar um novo confronto (quem sabe os dois times não saíssem do 0 a 0...) também não dá: não haveria data no calendário esportivo. E, ademais, se o empate se perpetuasse os adversários se enfrentariam eternamente? É inviável. Então, se os homens sozinhos não souberam definir o campeão, deixa que os deuses definem (eles ou quem quer seja o controlador do acaso).


        Digo tudo isso para defender a abolição da decisão de campeonatos em cobranças de pênaltis. Tudo bem que a conversão de penalidades é menos casuística que o cara-ou-coroa, porque envolve a preparação, o treino de chutes, o estudo do estilo de cobrança do adversário e a consciência de que, senão totalmente, ao menos uma parcela do poder de definição está na esfera terrena. Nas mãos dos homens e não dos céus. Mas há que se considerar a influência emocional no momento da disputa, pois como bem disse o fabuloso Didi, autor da folha-seca: "treino é treino. Jogo é jogo".

    Um bom exemplo para ilustrar essa interferência do transcendental é o contraste entre o campeão paulista e o carioca (novamente esse antagonismo...). Na Terra da Garoa, o Santos tinha a vantagem de jogar por dois empates ou se beneficiar com os resultados iguais. Como perdeu o primeiro embate ante o São Caetano por 2 a 0, mas triunfou no segundo pelo mesmo placar, sua supremacia ao longo da competição foi determinante para lhe assegurar a taça.

        Já na Cidade Maravilhosa, o regulamento não previa a premiação da melhor seqüência no caso de indefinição do placar. Assim, a soberania da campanha botafoguense ruiu quando, após dois empates com o Flamengo (ambos em 2 a 2), Lucio Flavio e Juninho desperdiçaram suas coversões de pênaltis. O caneco foi para a Gávea.

           De qualquer forma, considero a disputa em pênaltis uma prática obscena bem menos por uma possível injustiça no resultado (já que sou defensora ferrenha da fórmula de mata-mata e isso seria uma incoerência injustificável), do que pela tortura mental que ela significa. Ao torcedor, ao técnico, ao atleta.

         Ao torcedor pela expectativa, pela imprevisibilidade em frações de segundo, pelo medo de se deparar com a verdade na impossibilidade de fugir dela. Prova disso é que muitos sequer conseguem assistir às cobranças. Ao técnico pela sensação de impotência, pelo encolhimento diante do inevitável, pela impossibilidade de proteger seus meninos. E ao atleta pelo tribunal que se instaura no estádio, pelo juri impiedoso das arquibancadas, pela demolição moral do fracasso, pela sentença irrecorrível aos carrascos do futebol: a memória coletiva.
  • criado por  petoledo criado por petoledo
  • Postado em 16:36:19

01.05.07

O CARIOCA


Rio X Sampa

        Na condição de paulista que mora no Rio de Janeiro, me sino à vontade para comparar os dois campeonatos que, cada qual a seu modo, muito me fascinam. E a exemplo do que acontece com os próprios Estados, o que me toca em cada um deles é justamente a diferença entre um e outro. No Rio de Janeiro gosto de contemplar as maravilhas naturais. Em São Paulo, de desfrutar dos encantos artificiais. No futebol carioca eu aprecio os grandes, que quando se enfrentam materializam o conceito de Clássico. No paulista, os pequenos, que constantemente surpreendem e dão forma à idéia de zebra.

        Clássico e Zebra são dois ingredientes indispensáveis no esporte bretão. Sem eles a receita inevitavelmente desanda, e o futebol fica insoso. Óbvio demais. Evidente demais. Previsível demais.

        Sim, é claro que a história do Carioca está repleta de Zebras, assim como a trajetória do Paulista inclui inúmeros Clássicos. Coisas da vida. Mas nos últimos tempos os grandes do Rio se equivalem, enquanto em São Paulo o time homônimo e o Santos levam vantagem (prova disso são os tabus). No Rio os pequenos pouco aparecem e quase não revelam talentos, mas em Sampa vez ou outra desbancam os favoritos (evidência disso são as conquistas na Copa do Brasil e o Brasileiro do Guarani em 1978).

         O primeiro jogo das finais de cada Estado ilustra bem isso: um embate de arrepiar de um lado, e uma saborosa surpresa de outro (os santistas naturalmente devem discordar...). E não importa o que aconteça no próximo domingo, isto é, se o Clássico ou a Zebra estarão em campo novamente, eles já assinaram seus nomes nas competições e nos ensinaram mais uma vez que o futebol transcende a lógica. Mas, se quiserem dar as caras outra vez, serão muito bem-vindos.



Clássico é Clássico. E vice-versa


           Imagine um jogo onde tudo pode acontecer. Onde a única certeza é a do espetáculo e ele sim, confirmou seu favoritismo. Imagine um duelo recheado de gols, bolas na trave, reações no minuto final de jogo, viradas sobre viradas, surpresas, tabus, revanches, recordes a serem alcançados e muita emoção. Lágrimas que se transformam em risos e certezas que se traduzem dúvidas. Imagine um confronto com belas jogadas, toques de classe, dribles desconcertantes, gols de encher os olhos. Em que bola á tratada com intimidade por quem fala o mesmo idioma. Imagine um embate onde uma multidão apaixonada se espreme atrás do alambrado com corações pulsando a mil. Torcendo com a alma. Sim, você está diante de um Clássico.

         Os confrontos entre os grandes do Rio nesta temporada foram qualquer coisa de muito lindo, de muito mágico. Verdadeiras dádivas. Somaram, ao todo, oito encontros. E a elástica marca de 33 gols, fora as disputas de pênalti. Mais de quatro gols por partida. Jogos para entrar na História, sem dúvida. Botafogo e Flamengo abriram a série de Clássicos com chave de ouro: 3 a 3. Deram logo seu recado: clássico é clássico. Com direito a virada e gol de placa. Fluminense e Vasco acharam pouco três gols para cada. Queriam mais: 4 a 4.

          Aí vieram as semifinais da Taça Guanabara e a promessa de um jogo dramático. A expectativa se confirmou e o empate em um gol levou a decisão para os pênaltis: Fla 3 a 1 Vasco. E dá-lhe tabu. Já pela Taça Rio, o Fluminense desperdiçou um pênalti e perdeu o jogo para o Botafogo por 1 a 0. Prova de quem nesse tipo de jogo o erro custa caro. Depois foi a vez do Gigante da Colina lavar a alma: 3 a 0 contra o algoz Rubro-Negro. Eis a redenção vascaína. O Tricolor também carimbou a faixa de campeão da Taça Guanabara conquistada pelo Flamengo: 2 a 1. Mas não foi de qualquer jeito não, foi de virada e com um gol aos 48 do segundo tempo.

         E a festa prosseguiu. Botafogo 2, Vasco 0, e Romário sem o milésimo gol. Isso é para aprender que em Clássico não existem coadjuvantes, só protagonistas. Já deveriam saber disso. Semifinais e novamente o Glorioso e Gigante se viram frente a frente. A chance da vingança. Não aconteceu (nem o troco e nem o tal gol mil; por centímetros). No jogo 4 a 4 e dez de cada lado, nos pênaltis 4 a 1 Fogão. Nascia aí o campeão.

    Enfim, é como dizem por aí: “Clássico é Clássico, e vice-versa”. A origem da frase é controversa, sua profecia é atribuída aos mais variados personagens mas, afinal, quem se importa com a imprecisão de algumas palavras diante da insensatez de um Clássico? Não importa quem criou a frase – e tampouco os Clássicos. O que vale são os gols, a emoção, o riso e choro que se alimentam desse imprevisto que só mesmo o futebol é capaz de proporcionar em doses tão embriagantes. Se eu fosse presidente, decretaria dia de Clássico como feriado nacional. E não quanto a isso eu não negocio.

  • criado por  petoledo criado por petoledo
  • Postado em 16:27:09

28.02.07

A IRONIA

Travessuras


          As cortinas do espetáculo futebolístico se abrem. A luz se faz. No centro do palco verde, o artilheiro e a bola. Outros jogadores estão a sua volta, mas não passam de meros coajuvantes. Todos os olhares estão voltados para os pés d’Ele. Que está pronto para brilhar e representar o seu melhor papel: o de goleador. Na platéia, a torcida ovaciona.

           Mas eis que um passo em falso, uma pisada mal calculada, um tropeço e... a tragédia se instaura. O ídolo se contundiu. Vai ficar fora por seis meses. No clímax de sua atuação, ele é obrigado a sair de cena. Agora serão seis meses à sombra dos holofotes. Seis meses sem aplausos, sem show, sem glórias, sem gols.

        Quando assisti ao lance que resultou na lesão de Obina, o xodó da nação rubro-negra, fiquei pasma. Muito menos pela forma boba com que aconteceu do que pelo azar em ser justo agora. Bem no auge de sua identificação com a torcida e afinidade com a bola.

         Fiquei pensando o quão é injusto é o futebol, que permite que um atleta se machuque no melhor momento de sua carreira, enquanto tantos outros pernas-de-pau esbanjam saúde e boa forma física irritando os torcedores.
  
          E essa busca por respostas me cresceu assustadoramente depois que Nilmar, regente da Fiel torcida corinthiana, se machucou outra vez. A promessa de alegria com o retorno do ídolo, que amargou longos meses fora dos gramados e distante da nação alvinegra, transbordou nas lágrimas de desconsolo do atleta ao ser retirado de campo. Não tem jeito, as duas maiores torcidas do país estão órfãs.

         Por isso é que eu acuso: o futebol é mesmo irônico. Parece que acontece de propósito, uma maldição que assola os boleiros que estão em evidência ou em sintonia com as arquibancadas. Exemplos não faltam na História do esporte bretão. Ídolos que, por capricho do destino, tiveram que interromper seu estrelato e adiar a sua coroação.

         Nem o Rei escapou. Na Copa de 62, na segunda partida (contra a Tchecoslováquia), Pelé sofreu uma distensão e disse adeus ao mundial. Bem, se o drama atingiu até majestade do mundo da bola, não seria diferente com os súditos.

          Alguns se recuperam a tempo de acertar suas contas com o esporte. É o caso do próprio eterno camisa 10 da seleção brasileira, que reinou soberano quatro anos depois, no México. Ou do “fenômeno” Ronaldo, que ressurgiu das cinzas em 2002 e nos trouxe o quinto caneco. E mesmo de Eto’o (aquele, que os flamenguistas juram que Obina seja melhor...).

         Mas não consigo parar de me questionar de onde vem essas contusões. Por que fatalmente acontecem? Quem se diverte com elas?

         A figura que tenho na minha cabeça é a um gigantezinho mimado e travesso, cujo brinquedo favorito é um tapete verde, onde estão dispostos onze homenzinhos e uma bola, como se fosse um enormíssimo campo de botão. E ele fica brincando com as pecinhas, tirando-as e recolocando-as no lugar, segundo as suas vaidades.

        Agora, se não for isso, então eu não sei mais o que pode ser...

  • criado por  petoledo criado por petoledo
  • Postado em 16:42:40

26.01.07

O PATRIMÔNIO

categorias: CARIOCA, VASCO, ÍDOLO
Deixa o homem marcar gols!


             A Fifa decretou: Romário não pode disputar o Estadual do Rio de 2007, porque o regulamento proíbe que um mesmo atleta defenda mais de dois clubes no prazo de um ano. Como o atacante atuou pelo Miami FC e pelo Adelaide, da Austrália, não pode vestir oficialmente a camisa do Vasco, seu atual clube, fato que o distancia enormemente do sonho de alcançar o milésimo gol da carreira.

           A decisão aparentemente tem respaldo legal, pois se fundamenta em regras claras e aplicáveis a qualquer jogador. Mas há uma falha conceitual, que passou despercebida à vista míope da entidade máxima do futebol, mas nunca deixou de ser captada pelos olhos pulsantes do torcedor: não estamos falando de “qualquer jogador” e sim de Romário. Que, na pior das hipóteses, é gênio e não apenas esportista.

           “Jogador de futebol” é um termo muito genérico, incabível à biografia do Baixinho. Equipará-lo aos mortais que povoam o esporte bretão mundo afora seria demasiada ingratidão com os pés abençoados que, dentre outras artimanhas, salvaram a seleção canarinha do fiasco de ficar fora de uma Copa do Mundo - e, de quebra, ainda conquistaram o tetracampeonato para o Brasil. Seria, definitivamente, uma grosseria irremediável com aquele que conhece tão bem o caminho do gol que sagrou-se artilheiro do Cariocão por cinco anos consecutivos e, não bastasse, foi o maior goleador do Brasil aos 39 anos.

     Romário e a bola mantêm uma relação profunda de cumplicidade, como se já se conhecessem de vidas passadas. Como se um dia tivessem formado um único ser – uma criatura meio andrógina, sendo a bola uma extensão dos pés do Baixinho - e estivessem condenados a perseguir eternamente a metade separada pela fúria dos deuses (que provavelmente detestavam futebol). Assim, o atacante e a redondinha se procuram incansavelmente, pois só assim se completam para fazerem a alegria das arquibancadas.

         Por tudo isso é que eu discordo da Fifa. Ele quer fazer gols? Pois então que os faça, e em grande quantidade! O torcedor quer isso mesmo: ver as redes balançando. Não pode haver mal em um jogador que anseia chegar ao milésimo tento (ainda que os números sejam contestáveis). Antes todo atacante estabelecesse para si semelhante meta. Aí pouparia os dirigentes de buscarem soluções para a miserabilidade de gols nas competições.

        Claro que em um time o jogador tem que priorizar a colaboração com o grupo, em detrimento de alcançar recordes pessoais. Mas já destacamos aqui que Romário não é boleiro e sim patrimônio esportivo do país. E, ademais, prejudicial mesmo ao futebol é o atacante que não marca, que não afunda as redes. Romário tá com fome de bola? Então, d
eixa o homem marcar gols!

  • criado por  petoledo criado por petoledo
  • Postado em 08:48:38

24.08.06

A HERANÇA

categorias: CARIOCA, CARTOLAS


Até quando vai ser assim, Rio de Janeiro?

    Lendo e ouvindo informações sobre o enterro do ex-presidente da Federação Estadual de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj), Eduardo Viana, inevitavelmente me veio à cabeça aquela cena clássica – e até mesmo clichê – dos parentes reunidos no velório em torno do corpo do falecido milionário, chorando copiosamente - como se quisessem provar que a sua dor é maior do que a dos outros – e, por cima dos óculos escuros, entreolhando-se desconfiados, numa espécie de “guerra-fria” da disputa pela herança.

    Não é humor negro, falo sério. Como dizia a minha avó, “nem bem o sujeito desencarnou”, e as corridas de bastiores pela sucessão na presidência da Federação já começaram. Nem o sofrimento da família eles respeitaram. Nem mesmo a aura mista de morbidez e libertação dos cemitérios os intimidou. Nem o descanso profundo em que se encontravam os futuros vizinhos de Caixa d'Água foi motivo suficiente para adiar-lhes a necessidade de definirem nas mãos de quem estará o poder de agora em diante. A paz perpétua dos mortos foi incomodada pelos cochichos e conversas de corredoredor.

    Triste é saber que essa pressa toda não é em preocupação ao futebol carioca, que agoniza e se não for urgentemente socorrido, em breve fará companhia ao seu ex-presidente – e nem vou falar da contribuição do dito cujo para a crônica situação atual do esporte bretão no Rio, porque prefiro deixá-lo subir ou descer em paz, com todo o respeito.

    O mais trágico de tudo é constatar que a urgência em se definir entre Rubinho (Rubens Lopes), o vice-presidente, Hildo Nejar, o preferido de Viana, ou a convocação de novas eleições não tem como objetivo central a recuperação do esporte no Estado, mas a pura e simples tomada do poder por um grupo ou por outro. O que está em jogo não são dois projetos antagônicos de planejamento e investimento – palavras que, talvez, sequer pertençam ao vocabulário dos personagens em questão – e sim a rivalidade dos que anseiam por mais poder e influência no futebol carioca.

    Diante de duas possibilidades tão entranhadamente semelhantes entre si, salvo pequenos detalhes, e que significam nada além do continuísmo à administração anterior, que sabidamente apresentava "falhas" - para não provocar a ira dos que se foram - fica difícil acreditar que o futebol carioca tem a possibilidade de renascer agora.

    Vai demorar algum tempo, ainda, para que o torcedor possa estufar o peito e dizer com orgulho: "a cartolagem do meu Estado atua com seriedade". A sorte é que seus vizinhos também não têm tido lá muito o que comemorar e, nivelamento-se por baixo, não vai ser surpresa sealgum time do Rio chegar en tre os primeiros.
  • criado por  petoledo criado por petoledo
  • Postado em 17:47:56