Futeblog-Penélope Toledo

Um blog com informações, discussão e desabafos sobre futebol, que tenta pensar o esporte e não apenas descrevê-lo. Tudo isso, claro, com a linguägem apaixonada do torcedor. "O pior cego é o que só vê a bola" (Nélson Rodrigues)

Futeblog-Penélope Toledo

Um blog com informações, discussão e desabafos sobre futebol, que tenta pensar o esporte e não apenas descrevê-lo. Tudo isso, claro, com a linguägem apaixonada do torcedor. "O pior cego é o que só vê a bola" (Nélson Rodrigues)
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Terra Blog

Categoria: SELEÇÃO BRASILEIRA

04.02.07

A BASE

Meninos de Ouro


"Sabemos o que somos, mas não o que podemos ser."

(William Shakespeare)


          Não há uma fórmula universal, absoluta ou insuperável para a vitória no futebol – e tampouco na vida. Ela é alcançada das mais diversas formas, muitas vezes sem nem mesmo ser merecida. Mas uma coisa é inquestionável: investir nas categorias de base costuma proporcionar gratas recompensas. Em outras palavras, se não é a receita para o sucesso, pode-se dizer que acreditar nos meninos é ingrediente indispensável para alcançá-lo.


        A conquista do Campeonato Sul Americano pela seleção brasileira sub-20 nos leva a essa reflexão. Tudo bem que a rapaziada de Nélson Rodrigues não nos proporcionou um futebol convincente, capaz de encher os olhos do torcedor. Mas cumpriu seu papel – garantiu a vaga nas Olimpíadas de Pequim, em 2008 – e realçou jovens talentos como Alexandre Pato, Lucas, Luís Adriano, Cássio e Tchô. Enfim, uma geração que tem tudo para ser vitoriosa e trazer infindáveis alegrias ao povo brasileiro. É só uma questão de tempo.


         Aí é que mora o problema, porém. Afinal, tempo é uma palavra que não cabe no vocabulário inquieto desses adolescentes cheios de sonhos e hormônios, ansiosos em brilhar nos gramados. A palavra tempo também é desconhecida pelos cartolas, cujos olhos brilham só de pensar nas cifras que as "descobertas" significam. E o resultado disso é que os garotos são precocemente promovidos à profissionais, mesmo que a subida para o time principal não seja sustentável e depois de um tempo seja preciso rebaixa-los novamente.


          Claro que a História está repleta de exemplos de meninos prodígios. Pelé, na Copa de 58, fascinou o mundo com apenas 17 anos. Mas o Rei do Futebol é, evidentemente, uma exceção. Nesta idade o garoto não desenvolveu todas as suas potencialidades técnicas, nem assimilou os conceitos táticos e mesmo seu corpo ainda está em formação, assim como a sua estrutura emocional.


           E a falta de amadurecimento é sentida quando, não raro, esses talentos juvenis são tomados pelo deslumbramento ante a exaltação da torcida e se esquecem de jogar futebol – situação popularmente conhecida como salto alto. Ou, no outro extremo do problema, quando os rapazinhos não sabem lidar com a pressão impiedosa vindas das arquibancadas e se desmoronam. Se anulam com medo de tocar na bola e terem que encarar a fúria emanada do outro lado do alambrado.


         Outro perigo destas épocas de safra de jovens talentos – geralmente durante a disputa da Copa São Paulo – é o ataque dos clubes estrangeiros, essas pragas que rondam nossos meninos oferecendo-lhes dinheiro, sucesso e competições organizadas. A revoada dos jogadores sul-americanos para o Velho Continente é cada vez mais precoce e muitos atletas saem sem jamais terem atuado profissionalmente em sua própria pátria. Recentemente o Atlético de Madrid escandalizou o mundo da bola ao confirmar interesse pelo argentino Martín Acevedo, do Boca Juniors, de apenas 12 anos.


        Quem perde com isso é o torcedor latino, que vê suas competições nacionais sendo enfraquecidas pela evasão de seus principais protagonistas. Que é privado de conferir a habilidade desses ídolos precoces em solos nacionais. E que se contenta com a migalha de se deliciar com o futebol desses meninos à distância, pelas telas dos canais pagos da televisão. E tudo isso porque não se pode competir financeira ou administrativamente com os clubes estrangeiros, embora vençamos, indiscutivelmente, quando o assunto é renovação de craques.

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  • Postado em 21:12:37

13.09.06

A REBELDIA

 Juízo demais

 
"Portanto,não percam a coragem, porque ela traz grande recompensa”
(Hebreus 10,32-35)


    Uma frase constantemente repetida no futebol é aquela: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”. A origem da declaração é desconhecida e provavelmente bastante antiga mas, ironicamente, ela parece ressurgir cada vez mais atual. A cada dia que se passa, os poderosos ficam mais mandões e os ajuizados, mais silenciosos. Em uma carreira tão efêmera quanto a de um boleiro – seja ele jogador ou técnico – fazer “vista grossa” aos soberanos parece estar sendo a solução mais sadia para garantir a sobrevivência.

    Em alguns clubes quem manda é o presidente. E manda tanto, mas tanto, que se sente no direito de extrapolar suas funções naturais e acumular também a de treinador. Não é de hoje que em clubes como o Vasco da Gama, o dirigente máximo se intromete até mesmo na escalação do time. Isso sem falar nas ameaças públicas feitas a jogadores e declarações infelizes aos meios de comunicação – como se a imprensa também estivesse inserida em seus domínios. Posso estar sendo retrógrada e assumo esse risco mas, para mim, presidente tem que presidir. É uma função político-administrativa, não técnica. Cada macaco no seu galho.

    O poder no futebol, como na sociedade, também está muito associado ao dinheiro. Assim, em clubes como Fluminense e Corinthians, dentre tantos outros, quem manda é o capital. Que se personifica, é claro, na figura do patrocinador. Recentemente, o comandante tricolor Oswaldo de Oliveira foi inesperadamente demitido do cargo, após colocar um jogador contratado pelo patrocinador no banco de reservas. Ele garante que houve pressão dos donos da grana para que a sua cabeça rolasse.

    No Timão a situação é ainda mais delicada, sobretudo porque não se sabe ao certo a origem das somas de quem manda. Fala-se até em lavagem de dinheiro. O fato é que as verdinhas existem e vêm em bastante quantidade. Diretamente proporcional é o poder do patrocinador, que assume uma série de funções incabíveis, como escolher os jogadores que serão contratados, autorizar liberações de atletas em treinos e jogos e conversar com a imprensa como se seus representantes fosses assessores. O patrocínio é um apoio financeiro em troca de visibilidade, não pode significar - em momento algum! - a propriedade do clube.

    O episódio talvez mais conhecido de intromissão foi protagonizado pelo ex-ditador Emílio Garrastazu Médice, que queria a convocação de Dario para a seleção brasileira. O tirano teve que engolir seco a resposta afiada do então treinador, o comunista João Saldanha: “Quem escala a seleção sou eu. O presidente escala seu ministério”.

    Mas a audácia geralmente tem um preço – e costuma custar caro. Depois de ter montado a base da seleção que se sagraria tricampeã do mundo, o técnico foi substituído por Zagallo. O Velho Lobo ficou com as honras da conquista no México todas para ele. A satisfação indescritível de se deitar a cabeça no travesseiro e ter a certeza de que jamais se curvou para os demandos de um general, porém, ficaram para Saldanha. E isso ninguém conseguiu lhe arrancar.

    Infelizmente, o ex-treinador da seleção era uma figura ímpar. E já não está mais aqui para afrontar as ordens. Hoje em dia o futebol carece de personagens assim, desajuizados. Nos dias atuais o esporte bretão está obediente demais, disciplinado demais, adestrado demais. Quem pode manda, e impera absoluto. E quase todo mundo tem juízo para obedecer. O mundo da bola suplica por alguém que desafie, que desacate, que aja à revelia das normas.

    Apesar de ser angustiante, porém, mantenho-me otimista: cedo ou tarde aparece um novo contestador que vire esse mundo de pernas para o ar. E vai ser gratificante ter esperado. Os mandões nem desconfiam, mas eles não podem tanto assim. Não adianta, o dinheiro não compra a rebeldia do Homem.
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  • Postado em 21:28:26

25.08.06

O FISIOTERAPEUTA




A árdua tarefa de devolver o atleta aos gramados

    É ele quem está presente no momento mais difícil da carreira do atleta: quando se contunde e fica fora dos gramados. É ele, também, quem devolve ao boleiro o seu bem mais precioso: a possibilidade de jogar futebol. Estamos falando, é claro, do fisioterapeuta – aquele profissional que trabalha intensivamente de manhã, tarde, noite, domingos e feriados, para permitir que o jogador volte a dar alegrias ao torcedor. Mas o que será que pensam os fisioterapeutas que atuam no futebol?

    Para representar esta categoria de profissionais, nada melhor do que saber o que tem a dizer um de seus principais expoentes no Brasil: Luiz Alberto Rosan, fisioterapeuta da Seleção Brasileira e do São Paulo Futebol Clube. O trabalho vitorioso de Rosan é feito de ciência - que utiliza os recursos da eletroterapia, laserterapia e fisiologia, - paciência e repetição. Outro ingrediente indispensável na prática do fisioterapeuta da seleção é, sem dúvida, a paixão.

    Rosan é profundo admirador deste apaixonante esporte denominado futebol.

FUTEBLOG: Como é o trabalho que você desenvolve no futebol?
LUIZ ALBERTO ROSAN: A fisioterapia é a mais nobre das profissões, porque devolve o paciente às suas atividades normais. No futebol isso tem que ser feito de uma maneira rápida, porque a cobrança é enorme por parte da torcida, diretoria, mídia... Nós, fisioterapeutas, somos os que mais trabalhamos em uma equipe: tratamento intensivo pela manhã, tarde, noite, aos sábados, domingos e feriados. Nenhum outro membro da comissão tem uma atividade tão intensa.

FUTEBLOG: Você gosta mesmo de futebol ou começou a atuar no esporte "por acaso"?
LUIZ ALBERTO ROSAN: Sim, eu gosto. O futebol é a maior democracia existente no planeta: ninguém sobrevive se não possuir um mínimo de talento. Nenhum outro esporte é mais emocionante, nenhum outro esporte congrega tantos ideais. O futebol é a verdadeira representatividade da paixão existente no homem.

FUTEBLOG: Como é a tua relação com os jogadores, técnico e
dirigentes?
LUIZ ALBERTO ROSAN: Estritamente profissional. Procuro fazer valer a importância da fisioterapia para o futebol, seja com atletas dirigentes ou comissão técnica como um todo.

FUTEBLOG: Você se sente vivendo "à sombra" dos jogadores?
LUIZ ALBERTO ROSAN: Não. Os astros são os atletas e quem pensar o contrário estará fadado ao fracasso. O fisioterapeuta não deve querer ser mais, deve é fazer o seu trabalho bem feito, o que já é muito difícil, e os atletas ficarão a mercê de seus cuidados. É interessante porque, quando lesados, é o fisioterapeuta que eles procuram. Às vezes, altas horas da madrugada eu recebo ligações do exterior pedindo orientações ou ajuda para um tratamento. Portanto, o segredo do sucesso é você não querer aparecer mais do que o necessário para desenvolver a prática dos recursos da fisioterapia.

FUTEBLOG: Em algum momento da tua vida você desejou ser jogador de futebol?
LUIZ ALBERTO ROSAN: Sim, na adolescência. Porém, logo percebi que não tinha talento. Foi quando decidi seguir para uma profissão que pelo menos me aproximasse mais do futebol

FUTEBLOG: Qual é a média de valor da remuneração do fisioterapeuta no futebol?
LUIZ ALBERTO ROSAN: Confesso que não sei a média do pessoal dos outros clubes, mas normalmente é pouco pelo que fazem e pelas responsabilidades de tratar de verdadeiros diamantes. No meu caso dizem que ganho muito, mas sempre acho que mereço mais.

FUTEBLOG: Como você foi selecionado para atuar na seleção
brasileira?
LUIZ ALBERTO ROSAN: Busquei, perseverei, sofri, mas nunca desisti. Lutei minha vida inteira pela profissão, por um lugar neste meio, pelo seu reconhecimento. Trabalhei com mais de 50 treinadores, que conhecem meu trabalho e minha metodologia. Fui subindo degrau por degrau, ousando e arriscando sempre, até os dias de hoje. Não fiz lobby com a mídia, não movi um dedo sequer para estar na seleção, foi acontecendo de maneira
natural...

FUTEBLOG: Existe alguma história marcante que você viveu no futebol?
LUIZ ALBERTO ROSAN: Tenho muitas histórias, daria até para fazer um livro. Mas aí teria que omitir o nome das pessoas, o que com certeza perderia a graça! Uma recente, quando o São Paulo F.C. se classificou para a Libertadores e um dos atletas, que já não se encontra mais no clube, vibrou intensamente dizendo que era sua chance de conhecer a Europa.

FUTEBLOG: E sobre a seleção brasileira, quais são as tuas recordações?
LUIZ ALBERTO ROSAN: Sobre a seleção eu às vezes me pego pensando que foi a mais bem planejada e organizada, e nem por isso obtivemos sucesso. Agora não tem mais jeito, é "página virada"...

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  • Postado em 17:33:25

25.07.06

O ESCOLHIDO



Boi-de-Piranha

    Dunga é o novo técnico da seleção brasileira. A notícia, bombástica, foi anunciada pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e quase me fez cair para trás. O nome do ex-capitão da seleção tetracampeã mundial chegou a ser mencionado pela Federação, mas treinadores como o polêmico Vanderlei Luxemburgo ou o passivo Paulo Autori eram os mais prováveis, depois da recusa do pentacampeão Luis Felips Scolari, para assumir o comando dos “canarinhos”.
 
     Ele, como não poderia deixar de ser, divide as opiniões. Em seu favor, está o fato de ter disputado três Mundiais (1990-94-98), além do inconfundível espírito de liderança e a coerência ímpar, infelizmente rara no universo futebolístico. Contra, estão a forte ligação com Parreira e Zagalo, os responsáveis pelo fracasso que ainda lateja em nossa memória, e a gritante inexperiência como treinador.

    Ainda é cedo para avaliar se a decisão foi acertada ou não. O fato de ter sido um grande jogador não influi diretamente na sua capacidade como técnico, assim como a inexperiência não é absolutamente determinante para o seu fracasso – e o alemão Klinsmann é a prova mais evidente disto. O que me chamou a atenção, porém, foi o oportunismo com que a escolha foi feita, isso é, o seu momento.
 
      Afinal, não é segredo para ninguém que a relação mais forte do torcedor é com o clube. A seleção seria uma espécie de romance passageiro, que serve apenas para consolidar o amor que sente pelo time de coração, este sim, um relacionamento duradouro e imbuído de altos de baixos. Por conta deste relacionamento mais sólido, o torcedor, neste momento, não está preocupado com Dunga ou com a Seleção Brasileira.

    Sejamos objetivos: às vésperas de uma decisão, os flamenguistas e vascaínos só têm olhos para a Copa do Brasil. Em “lua-de-mel” com o time, e também na expectativa de jogos perigosos, os colorados e são-paulinos suspiram apenas para a Libertadores. Amargurando a lanterna do campeonato, os fiéis corinthianos sofrem simplesmente com o Brasileirão. Não menos aflitos com a possibilidade de rebaixamento, os torcedores de Fortaleza, Santa Cruz, Palmeiras, Ponte Preta, Atlético-PR e Botafogo não se podem permitir a extravagância de pensar em Brasil. Até mesmo os torcedores, cujos times figuram na disputadíssima Série B, sonham apenas com o doce momento do retorno à elite do futebol nacional. Dunga que me perdoe a franqueza, mas não há lugar para ele – pelo menos por enquanto – no coração do torcedor brasileiro.
   
      Até porque essa história de novo técnico da seleção me lembra muito a do “boi-de-piranha”, no Pantanal, em que um boi era eleito para ser sacrificado – geralmente o mais velho ou machucado do rebanho – e, assim, salvar os demais. Segundo a lenda, um boi era atirado ao rio, para atrair a atenção e fúria das piranhas, enquanto os outros atravessavam as águas sem serem atacados.
 
     Enquanto o que resta da fúria brasileira se dilui, favorecido pela necessidade de atenção que os clubes exigem, mantém-se o novato no comando. Até a próxima Copa do Mundo, que só será daqui há quatro anos, muitas cabeças e bolas ainda poderão rolar. Até Felipão, que rejeitou a seleção amarelinha, poderá voltar quando seu contrato com Portugal – que vai só até 2008 – romper. Tudo é possível no mundo da bola.
   
          Mas, vejam bem, não estou afirmando nada. São apenas suposições, acreditem. Nenhum representante da CBF se deu ao trabalho de me confidenciar o que quer que seja, e infelizmente ainda não desenvolvi a capacidade de adivinhar pensamentos. Seria tão mais fácil, se fosse assim... Um coisa, porém, é certa e independe de adivinhações: enquanto a presidência da CBF estiver nas mãos de Ricardo Teixeira, as possibilidades de mudança cairão sempre, e inevitavelmente, no lugar-comum de sempre.
  • criado por  petoledo criado por petoledo
  • Postado em 12:11:09

17.07.06

A LIÇÃO



O verdadeiro futebol brasileiro

    Que partidaço foi Grêmio X Fluminense, no Estádio Olímpico, no último domingo! Para quem acha que jogo bom é aquele com muitos gols, neste foram oito – quatro para cada lado. Para quem defende que jogo bom é o imprevisível, em que o torcedor que abandona o estádio antes do apito final perde o melhor da festa, o empate gremista veio aos 49 do segundo tempo. Para quem associa jogo bom à garra, forma duas reações supreendentes – a virada tricolor, quando perdia de 0X2, e o empate do time gaúcho que, até os 47 minutos da etapa final, perdia de 2X4.

    Há muito tempo eu não via uma disputa assim. Destas, que despertam na gente a vontade de pedir ao juiz que deixe a bola rolar por pelo menos mais meia hora. Que Que provocam a sensação de que, houvesse mais tempo, o torcedor teria ainda gratas surpresas. Que nos permitem respirar aliviados e constatar que, mesmo quando tudo conspira contra, o futebol brasileiro respira. E continua fascinando.
    Não adianta, é aqui no Brasil – e em nenhum outro lugar do planeta! - que o esporte bretão é praticado com toda a excelência e maestria a que merece. E agora, que o fiasco canarinho na Copa evidenciou a falência de um modelo fundamentado nas grandes estrelas internacionais (que, em muitos casos, de brasileiros só têm a origem), os olhares devem se voltar novamente às “pratas da casa”. E entender que é daqui que devem sair os nossos representantes nos Mundiais.
    Se não serviu para nos trazer o tão sonhado Hexa, pelo menos a campanha brasileira na Copa serviu para oficializar o encerramento de um ciclo. Foi um grupo vencedor em sua totalidade, é verdade, mas que já cumpriu o seu papel na seleção nacional, e agora “passa a bola” para um novo elenco – que possivelmente irá aproveitar alguns atletas que estiveram na Alemanha, além de incorporar outros tantos talentos que emergem diariamente nos clubes pelo país afora.

    Diz o ditado que “Deus escreve certo por linhas tortas”, e deve ser mesmo. Assim, o vexame da seleção de Parreira servirá para fortalecer os campeonatos regionais e nacional, porque é dali que sairão os próximos escudeiros que nos representarão na África do Sul, em 2010. E porque, agora sim, imprensa e torcedores estarão de peito aberto para reconhecer, em seus prórpios campeonatos, os craques que imaginava estar no Velho Continente. O fato é que o melhor futebol do mundo é praticado em território brasileiro. E eu desconfio que a bola já percebeu isso.
  • criado por  petoledo criado por petoledo
  • Postado em 09:45:58