Fênix: a arte de ressurgir das prórpias cinzas

A história da França nesta Copa do Mundo daria um ótimo enredo de novela: chegou desacreditada, abandonada, desprezada por quem deveria apoiá-la e sofreu bastante, sobretudo no início da trama. No começo deu tudo errado – o gol não saía, a vitória não vinha, a classificação para a próxima fase quase não aconteceu.
E, para que a semelhança com as narrações folhetinescas ficassem ainda maior, a seleção francesa carregava um trauma do passado (a eliminação na primeira fase na Copa da Ásia). Isso, claro, depois de ter sido a melhor do mundo, quatro anos antes, com praticamente o mesmo grupo. Mas como em todo bom romance, os Bleus estavam determinados a recuperar a beleza que lhes fora roubada, e a despertar seu herói que estava adormecido – provavelmente vítima de alguma maldade dos vilões.
E eis que surge Zidane. Forte, imponente, craque. O resto da história a gente já conhece bem: mandou a Espanha, do brasileiro naturalizado Marcos Sena, para a casa. Depois foi a vez de despachar os nossos canarinhos, que chegaram na Alemanha com pinta de campeão e saíram de lá como decepção. E, não contente, o herói desta Copa ainda derrotou Portugal, xodó dos brasileiros.
Mas como esse papo de “final feliz” só funciona mesmo é em contos-de-fada, acabou perdendo nos pênaltis e voltando para a casa sem a taça. Mais que isso, o “mocinho” da nossa história se descontrolou e agrediu o zagueiro Matterazi. E, o que é pior, ele agora vai pendurar as chuteiras. Quer saber? Acho que esta final foi o castigo dos deuses, que não queriam que Zidane se aposentasse.