Futeblog-Penélope Toledo

Um blog com informações, discussão e desabafos sobre futebol, que tenta pensar o esporte e não apenas descrevê-lo. Tudo isso, claro, com a linguägem apaixonada do torcedor. "O pior cego é o que só vê a bola" (Nélson Rodrigues)

Futeblog-Penélope Toledo

Um blog com informações, discussão e desabafos sobre futebol, que tenta pensar o esporte e não apenas descrevê-lo. Tudo isso, claro, com a linguägem apaixonada do torcedor. "O pior cego é o que só vê a bola" (Nélson Rodrigues)
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Terra Blog

Categoria: COPA DO BRASIL

27.07.06

O VICE



E agora, sr. Eurico?

    Claro que ainda é muito cedo para se avaliar quais serão os efeitos da perda do título da Copa do Brasil, na Era Eurico Miranda. A dor ainda é latente e não deu tempo para os vascaínos assimilarem por completo a derrota. Muitos, quando despertaram pela manhã, devem ter se perguntado se aconteceu mesmo ou se foi tudo uma piada de mau gosto. Ou então suplicado às divindades, implorando para que tivesse sido apenas um apavorante pesadelo. Portanto, qualquer conclusão, agora, seria demasiado precipitada. Os torcedores ainda estão naquela fase de se entregar às lamentações, de buscar respostas para o insucesso e, por mais irracional que possa parecer, de eleger os culpados. É assim com qualquer clube. Inevitavelmente.
 
    Mas alguma coisa me diz que a soberania de Eurico Miranda à frente do time cuz maltino está em cheque. Não tanto pela derrota em si que, sozinha, seria insuficiente para abalar uma estrutura tão fortemente consolidada. Há algum tempo, porém, venho percebendo a insatisfação do torcedor aos mandos e desmandos do cartola.
 
         Ao término da triste partida contra o Flamengo, um côro vindo das arquibancadas pedia a sua saída. A revolta era tão grande, que o dirigente teve que deixar o estádio às pressas e escondido. Os rubro-negros, por sua vez, ironizavam Eurico, gritando palavras de ordem de apoio e agradecimento. Isso sem falar nas pesquisas e enquetes feitas por sites, na internet, em que ele é apontado como o grande responsável pelo fracasso, com larga (des)vantagem de votos.

    No final do ano – o indicativo é o mês de novembro – devem ocorrer as eleições para a presidência do clube. Uma parcela considerável dos associados já rompeu com ele e não é de hoje. Outra, sobretudo aqueles ligados às uniformizadas, está negociando um apoio que, outrora, era absoluto e incondicional. Um terceiro grupo, do qual ainda não se tem dimensão exata da proporção, mantém-se fechado ao atual presidente. A verdade é que, mesmo “rachada”, a torcida vem se dando conta, pouco a pouco, do quanto é maléfico ao clube tê-lo como dirigente. Do quanto a sua prepotência e incapacidade prejudicam o bom futebol que, historicamente, acompanhou o Club de Regatas Vasco da Gama.

    Pode ser que ainda não seja nesta eleição que “Euvírus”, como é chamado por parte da mídia, deixe o Vasco. Talvez o movimento de resistência à sua imponência dentro da agremiação precise de um pouco mais de tempo para reunir forças a ponto de derrotá-lo. Ou, quem sabe, as eleições não sejam suficientemente transparentes para que se tenha certeza de sua legitimidade. Mas o fato é que as paredes sólidas que protegeram, durante tanto tempo, a sua fortaleza, estão ruindo. As grades que tão inabalavelmente garantiam o seu feudo, enferrujam. E as engrenagens que aparentemente funcionavam bem, mostram sinais de desgaste.

    Não adianta, sr. Eurico Miranda, cedo ou tarde, todo império um dia cai. Foi assim com o Egito, com a Grécia, com o Império Romano, com a França de Napoleão, com Portugal... (há de ser com os Estados Unidos) e será assim com o sr. Pode ser agora ou daqui há anos, mas o teu absolutismo ainda acaba. O teu e de todos os outros dirigentes parasitas que se sentem donos do futebol brasileiro. Não sou eu que estou dizendo, é a História que evidencia.
  • criado por  petoledo criado por petoledo
  • Postado em 19:52:07

O CAMPEÃO



33 milhões de corações pulsando de felicidade

    A “Cidade Maravilhosa” amanheceu mais feliz hoje. Não, na verdade não foi só o Rio de Janeiro: o país acordou mais alegre. Nada menos do que 18% dos 182 milhões de brasileiros (segundo dados do IBGE), estampavam o mesmo sorriso abobalhado, o mesmo olhar radiante e a mesma vontade de, como eles mesmo definem, “cantar ao mundo inteiro a alegria de ser rubro-negro”.
 
         Nesta manhã, 33 milhões de seres humanos exibiam – vaidosos e orgulhosos de si – as inconfundíveis olheiras de quem passou a noite inteira embriagado de emoção. E tanta euforia tem um nome: Clube de Regatas do Flamengo. Ou, para os mais íntimos, simplesmente Mengão.

    O time mais popular do futebol nacional foi a melhor das 64 equipes que disputaram a Copa do Brasil neste ano. Após amargar três vice-campeonatos na competição - 1997, 2003 e 2004 – e sem vencer um torneio nacional há cinco anos – seu último título foi a pouco expressiva Copa dos Campeões Brasileiros, em 2001 – o Flamengo finalmente reencontrou o caminho das conquistas, voltando a preencher com festa a vida da maioria absoluta dos cariocas. E não poderia ter sido mais saboroso: duas incontestáveis vitórias sobre o grande rival Vasco da Gama.
 
     Não foi um grande jogo, é verdade, e o Flamengo também não chegou a fazer uma exibição de gala, daquelas que enchem os olhos do torcedor, mas... que importa? Quem é que vai ser leviano em questionar a ausência de uma partida bonita quando, na arquibancada, a maior torcida do Brasil transpirava euforia e protagonizava um espetáculo estonteante de fogos, bandeiras e coreografias? Qual o flamenguista que, no momento em que comemorava o título, lembrou que a atuação dos atletas não foi lá essas coisas? Não, eu quero ver quem é que vai levantar a voz para diminuir a grandeza da conquista quando, no próximo ano, a imensa “massa” rubro-negra invadir a Libertadores e tomar conta do continente sul americano.

    É claro que algumas coisas na Gávea vão ter que melhorar, se o clube realmente pretende disputar para valer a Libertadores. Por enquanto, o momento é de festa, e os torcedores só querem saber de brindar o Campeonato. E é justo que o façam mesmo, até extravasarem as últimas energias. Passados porém a magia, o entuasiamo e, em alguns casos, a ressaca, o pentacampeão brasileiro deve começar a traçar metas para fazer bonito no torneio Sul Americano, em 2007.
 
         Precisa pensar em reforços e montar um elenco competitivo, que faça jus à expectativa de sua imensa torcida. Precisa entender que sem um planejamento sério e bem elaborado, não chegará a lugar algum. Porque 33 milhões de pessoas chorando juntas é muita gente e poderia, de repente, causar uma enchente. É melhor não correr o risco.

OBS: Registro aqui os meus sinceros parabéns à gigantesca e arrepiante Nação Rubro-Negra!
  • criado por  petoledo criado por petoledo
  • Postado em 18:07:53

21.07.06

A RIVALIDADE


                                              

Paulistas X Cariocas, a volta de um duelo


“É que Narciso acha feio o que não é espelho”
(Cetano Veloso – Sampa)


    Gregos X Troianos. Montecchios X Capuletos. Esaú X Jacó. Cães X Gatos. Preto X Branco. Sol X Lua. Brasil X Argentina. A rivalidade sempre foi um dos combustíveis que movem a História, impulsionando seus protagonistas a provarem a superioridade que acreditam ter em relação ao adversário. Não, nada é mais prazeroso do que testemunhar o fracasso do arquinimigo. E nada é mais deprimente do que ter de reconhecer o seu sucesso.

    A presença de duas equipes cariocas na final da Copa do Brasil reacende a mais entranhada rivalidade existente no nosso país: paulistas X cariocas. Rivalidade esta que, em virtude das más administrações que vitimaram os clubes fluminenses nos últimos anos, estava adormecida.

    A rivalidade é histórica e suas justificativas, as meis lendárias possíveis. A verdade é que não se sabe bem ao certo os motivos, mas se conhece bem os argumentos de cada um: “No Rio de Janeiro tem praias e paisagens naturais”, alfinetam os conterrâneos de Noel Rosa. “São Paulo é o centro econômico e empresarial do país”, rebatem os de Adoniram Barbosa.

    No futebol, o grande espelho da vida social brasileira, não é diferente. A disputa se faz presente, dividindo o Brasil em dois. Se por um lado Garrincha brilhou no Botafogo, por outro o Rei Pelé foi astro no Santos. Se uns garantem que a maior torcida do país é da Flamengo, outros, em contrapartida, juram que a mais apaixonada é a do Corinthians. E por aí vai, sem trégua ou consenso.
 
    Como há seis anos os times do Rio não traziam um título nacional para a “Cidade Maravilhosa”, as provocações entre os dois Estados tiveram que ser cuidadosamente guardadas e abrir alas para não menos acirradas rivalidades regionais. Afinal, bater em "cachorro morto", como se diz no vocabulário popular, é fácil. Mas com a ressurreição destes times, que souberam dar a volta por cima e disputar uma final de campeonato grande, a rivalidade vem à tona novamente. E com que ímpeto!

    As indispensáveis alfinetadas ao pessoal que mora “do outro da Dutra” são como o vinho, cujo sabor se sofistica de acordo com o tempo em que fica armazenado. Assim, será muito mais saboroso zombar - e torcer contra - depois de tanto tempo de espera. E as divergências já começaram. Muitos paulistas torcem o nariz quando o assunto é Copa do Brasil: “as nossas principais equipes não participaram do torneio, porque estavam na Libertadores da América”, menosprezam.

    E têm razão: Corinthians, Palmeiras e São Paulo, além do sugestivo Paulista, representaram a “terra da garoa” no torneio Sul Americano. Mas é verdade também que apenas um destes continua hoje na disputa. Assim como é fato incontestável que Flamengo e Vasco tiveram que deixara para trás nada menos do que 62 equipes, para conseguirem chegar ao final da competição – que, ironicamente, reserva ao campeão uma vaga na tão enaltecida Libertadores da América.

    Qual dos expoentes cariocas vai vencer a Copa do Brasil eu não sei, embora o rubro-negro tenha dado um passo importante em direção à taça. Mas o fato é que, seja um ou seja outro, o vencedor vai estar reconquistando para o futebol do Rio o espaço de destaque em que sempre figuraram seus clubes. E, mais que isso, vai estar prestando um grande favor ao futebol nacional, reabastecendo este duelo milenar tão saudável, que ninguém conhece as causas ao certo, mas que todos sabem que é questão de vida ou morte.


                                  
  • criado por  petoledo criado por petoledo
  • Postado em 22:08:18