
E agora, sr. Eurico?
Claro que ainda é muito cedo para se avaliar quais serão os efeitos da perda do título da Copa do Brasil, na Era Eurico Miranda. A dor ainda é latente e não deu tempo para os vascaínos assimilarem por completo a derrota. Muitos, quando despertaram pela manhã, devem ter se perguntado se aconteceu mesmo ou se foi tudo uma piada de mau gosto. Ou então suplicado às divindades, implorando para que tivesse sido apenas um apavorante pesadelo. Portanto, qualquer conclusão, agora, seria demasiado precipitada. Os torcedores ainda estão naquela fase de se entregar às lamentações, de buscar respostas para o insucesso e, por mais irracional que possa parecer, de eleger os culpados. É assim com qualquer clube. Inevitavelmente.
Mas alguma coisa me diz que a soberania de Eurico Miranda à frente do time cuz maltino está em cheque. Não tanto pela derrota em si que, sozinha, seria insuficiente para abalar uma estrutura tão fortemente consolidada. Há algum tempo, porém, venho percebendo a insatisfação do torcedor aos mandos e desmandos do cartola.
Ao término da triste partida contra o Flamengo, um côro vindo das arquibancadas pedia a sua saída. A revolta era tão grande, que o dirigente teve que deixar o estádio às pressas e escondido. Os rubro-negros, por sua vez, ironizavam Eurico, gritando palavras de ordem de apoio e agradecimento. Isso sem falar nas pesquisas e enquetes feitas por sites, na internet, em que ele é apontado como o grande responsável pelo fracasso, com larga (des)vantagem de votos.
No final do ano – o indicativo é o mês de novembro – devem ocorrer as eleições para a presidência do clube. Uma parcela considerável dos associados já rompeu com ele e não é de hoje. Outra, sobretudo aqueles ligados às uniformizadas, está negociando um apoio que, outrora, era absoluto e incondicional. Um terceiro grupo, do qual ainda não se tem dimensão exata da proporção, mantém-se fechado ao atual presidente. A verdade é que, mesmo “rachada”, a torcida vem se dando conta, pouco a pouco, do quanto é maléfico ao clube tê-lo como dirigente. Do quanto a sua prepotência e incapacidade prejudicam o bom futebol que, historicamente, acompanhou o Club de Regatas Vasco da Gama.
Pode ser que ainda não seja nesta eleição que “Euvírus”, como é chamado por parte da mídia, deixe o Vasco. Talvez o movimento de resistência à sua imponência dentro da agremiação precise de um pouco mais de tempo para reunir forças a ponto de derrotá-lo. Ou, quem sabe, as eleições não sejam suficientemente transparentes para que se tenha certeza de sua legitimidade. Mas o fato é que as paredes sólidas que protegeram, durante tanto tempo, a sua fortaleza, estão ruindo. As grades que tão inabalavelmente garantiam o seu feudo, enferrujam. E as engrenagens que aparentemente funcionavam bem, mostram sinais de desgaste.
Não adianta, sr. Eurico Miranda, cedo ou tarde, todo império um dia cai. Foi assim com o Egito, com a Grécia, com o Império Romano, com a França de Napoleão, com Portugal... (há de ser com os Estados Unidos) e será assim com o sr. Pode ser agora ou daqui há anos, mas o teu absolutismo ainda acaba. O teu e de todos os outros dirigentes parasitas que se sentem donos do futebol brasileiro. Não sou eu que estou dizendo, é a História que evidencia.