
O verdadeiro futebol brasileiro
Que partidaço foi Grêmio X Fluminense, no Estádio Olímpico, no último domingo! Para quem acha que jogo bom é aquele com muitos gols, neste foram oito – quatro para cada lado. Para quem defende que jogo bom é o imprevisível, em que o torcedor que abandona o estádio antes do apito final perde o melhor da festa, o empate gremista veio aos 49 do segundo tempo. Para quem associa jogo bom à garra, forma duas reações supreendentes – a virada tricolor, quando perdia de 0X2, e o empate do time gaúcho que, até os 47 minutos da etapa final, perdia de 2X4.
Há muito tempo eu não via uma disputa assim. Destas, que despertam na gente a vontade de pedir ao juiz que deixe a bola rolar por pelo menos mais meia hora. Que Que provocam a sensação de que, houvesse mais tempo, o torcedor teria ainda gratas surpresas. Que nos permitem respirar aliviados e constatar que, mesmo quando tudo conspira contra, o futebol brasileiro respira. E continua fascinando.
Não adianta, é aqui no Brasil – e em nenhum outro lugar do planeta! - que o esporte bretão é praticado com toda a excelência e maestria a que merece. E agora, que o fiasco canarinho na Copa evidenciou a falência de um modelo fundamentado nas grandes estrelas internacionais (que, em muitos casos, de brasileiros só têm a origem), os olhares devem se voltar novamente às “pratas da casa”. E entender que é daqui que devem sair os nossos representantes nos Mundiais.
Se não serviu para nos trazer o tão sonhado Hexa, pelo menos a campanha brasileira na Copa serviu para oficializar o encerramento de um ciclo. Foi um grupo vencedor em sua totalidade, é verdade, mas que já cumpriu o seu papel na seleção nacional, e agora “passa a bola” para um novo elenco – que possivelmente irá aproveitar alguns atletas que estiveram na Alemanha, além de incorporar outros tantos talentos que emergem diariamente nos clubes pelo país afora.
Diz o ditado que “Deus escreve certo por linhas tortas”, e deve ser mesmo. Assim, o vexame da seleção de Parreira servirá para fortalecer os campeonatos regionais e nacional, porque é dali que sairão os próximos escudeiros que nos representarão na África do Sul, em 2010. E porque, agora sim, imprensa e torcedores estarão de peito aberto para reconhecer, em seus prórpios campeonatos, os craques que imaginava estar no Velho Continente. O fato é que o melhor futebol do mundo é praticado em território brasileiro. E eu desconfio que a bola já percebeu isso.