Futeblog-Penélope Toledo

Um blog com informações, discussão e desabafos sobre futebol, que tenta pensar o esporte e não apenas descrevê-lo. Tudo isso, claro, com a linguägem apaixonada do torcedor. "O pior cego é o que só vê a bola" (Nélson Rodrigues)

Futeblog-Penélope Toledo

Um blog com informações, discussão e desabafos sobre futebol, que tenta pensar o esporte e não apenas descrevê-lo. Tudo isso, claro, com a linguägem apaixonada do torcedor. "O pior cego é o que só vê a bola" (Nélson Rodrigues)
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Terra Blog

Categoria: OUTROS ASSUNTOS

21.08.07

A IMPORTÂNCIA

          

 

Só o futebol é capaz

 

              "Dane-se a orientação sexual dele, o importante é que jogue bem". A frase, com variação de termos, tem sido constantemente repetida por muitos são-paulinos sobre a suposta homossexualidade do jogador Richarlyson. Mais do que seu conteúdo, que é evidente independentemente de crenças e valores, a declaração nos alerta para uma constatação importante: o futebol é o principal canal de debates da nossa sociedade.

          É curioso que indivíduos que fora do estádio normalmente se fecham para o tema da homossexualidade, com posturas intolerantes ou indiferentes, sejam levados a pensar sobre o assunto e até mesmo a formar opinião sobre ele somente através do esporte bretão, que é justamente onde eles menos esperavam ter que se deparar com as questões polêmicas da sociedade. O fato é que o futebol provoca reflexões que as pessoas se recusam ou se omitem a travar em outras esferas sociais.

           Porque predominantemente o brasileiro se esquiva a falar de violência urbana, mas é capaz de tecer longos comentários sobre a violência nos estádios de futebol - nas arquibancadas ou nos campos. Ele se nega a opinar sobre inflação, mas protesta veementemente quando a federação eleva o valor do ingresso sem que o seu salário acompanhe o aumento. Ele não quer saber sobre a corrupção no Planalto Central, mas pode descrever com riqueza de detalhes os escândalos de corrupção entre dirigentes de clubes e federações.

            Preconceitos como racismo, machismo e a falta de inclusão social do deficiente também só assombram quando acontecem no mundo da bola.

           E não é apenas a inércia de pensamento, mas também de sentimento que o futebol movimenta. Muitas pessoas só se permitem desfrutar de determinadas sensações quando assitem ao jogo do seu time de coração. Aí é um tal de quem nunca chora chorar, de quem nunca grita gritar, de quem nunca teme temer, de quem nunca abraça abraçar, de quem nunca ama amar... O futebol é, pois, uma licença em que as pessoas se permitem pensar e sentir o mundo, quando a regra do cotidiano é justamente o oposto.

           A pergunta inevitável é: por que ele? Logo ele, que não se reivindica mais do que um esporte! (embora sua relevância social deixe cada vez mais evidente que não passa de pura modéstia). Não existe uma resposta pronta, evidentemente, pois o futebol - assim como a vida - não é preciso. Talvez seja porque ele é uma válvula de escape, como insistem alguns pensadores. Ou talvez porque a identificação do torcedor com ele seja maior do que com o mundo, já que no futebol todas as opiniões e sentimentos são importantes. E, pasmem, têm o mesmo valor. Já no mundo...

 

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10.04.07

O BRASIL

 



Mergulhando nas entranhas do futebol brasileiro


      Há cerca de quinze dias, o Brasil parou para assistir bestificado a saga de um Rubro-Negro que, após vencer o primeiro e o segundo turnos do campeonato estadual, sagrou-se antecipadamente campeão, superando a necessidade de uma final. Não, não estamos falando o Flamengo que foi campeão da Guanabara, mas eliminado da Taça Rio. O Rubro-Negro em questão é o Sport Club do Recife.


 

     O time sagrou-se campeão pernambucano duas rodadas antes do final da competição e com uma campanha invejável: invicto e ostentando 100% de aproveitamento na segunda fase. Uma trajetória que enche os olhos do torcedor e nos alerta, ainda que por frações de segundos, de que existe vida futebolística longe dos chamados “grandes centros” do futebol nacional.


        Atualmente a pátria aplaude orgulhosa a campanha de “seu” Santos na Taça Libertadores da América (nada mais justo, afinal, são sete triunfos em sete confrontos), mas não se sente igualmente envaidecida com as surpreendentes vitórias dos também “seus” Ipatinga e Gama, que eliminaram, respectivamente, Palmeiras e Vasco da Copa do Brasil.


 

        Salvo as devidas proporções de grandeza, reconhecimento e abrangência de ambas as competições, o fato é que a auto-superação dos pequenos nunca chegou a comover verdadeiramente os corações verde-e-amarelos. Como se a imponência da seleção canarinha – e mesmo das belíssimas exibições dos grandes clubes do país no exterior – fossem possíveis apenas com jogadores surgidos à frente dos holofotes que iluminam o eixo Rio-São Paulo-Sul e abandonam à penumbra o ‘restante’ do país.


 

         O torcedor no país do futebol sabe que o Grêmio supera em quinze pontos o vice-líder do Grupo B no Gauchão, o Esportivo-RS, mas desconhece a supremacia do América-RN no Potiguar (o time é nada menos que o que mais venceu, menos sofreu revezes, mais balançou as redes adversárias, menos sofreu tentos e exibe o maior saldo de gols). O espectador tupiniquim acompanha a disputa acirrada pela última vaga para as semifinais do Paulistão, mas é alheio à liderança folgada do Brasiliense na competição homônima e aos seus onze jogos de invencibilidade no estadual, sendo a única equipe invicta no país ao lado do Sport. O entusiasta brasileiro fica apreensivo com a expectativa do milésimo gol de Romário e torce para que seja registrado no Carioca, mas não faz a menor idéia de que o atual campeão alagoano Coruripe impera absoluto no torneio regional, o Atlético é superior ao Goiás no Goianão e o River impera no Piauiense. Porque o Brasil não tem olhos para eles.


         O Pentacampeão mundial não consegue enxergar futebol onde não há estrelas, medalhões, grandes investimentos, salários milionários, badalações. Uma pena, porque se enxergasse para além de suas vistas míopes, poderia se esbaldar com jogos repletos de gols e arquibancadas lotadas. Poderia se deliciar com as mais variadas loucuras cometidas por torcedores para acompanhar o time e por jogadores, para subsistir em um esporte tão exclusivista. Poderia reviver os bons momentos, se recordando de quando o futebol ainda era bem mais inocente e inusitado do que é hoje.



       Mas um dia o Brasil ainda mergulha em suas próprias entranhas e descobre que em cada metro quadrado, em cada canto escondido, em cada extremo desse seu imenso solo, o futebol faz mesmo a alegria de multidões. Um dia a gente aprende que o gol é transcendente e acontece do Oiapoque ao Chuí. Eu tenho certeza.


 

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18.01.07

O SALÁRIO

categorias: MUNDO, OUTROS ASSUNTOS

Futebol e a lenda do Rei Midas


        O meu forte nunca foi Matemática. Desde os tempos da escolinha da Tia Cocota, meu rendimento em cálculos não era equivalente ao domínio das palavras. Sempre fui mais familiarizada com as letras que com os números e, quando mais zeros se acrescenta às somas, maior a minha confusão. Confesso, portanto, que não entendo muito de lógica numérica. Mas entendo da lógica social.


     Não sou especialista em valores, mas me considero suficientemente capaz de compará-los. E de chegar à conclusão de que os US$250 milhões que David Beckham vai ganhar para atuar durante cinco temporadas no Los Angeles Galaxy é muito mais do que o que grande parte das famílias do planeta conseguem acumular durante toda a vida. Não é preciso ser especialista em Aritmética para constatar que US$1 milhão – valor aproximado que o meia inglês vai receber por semana – resolveria o problema de muita gente.


         O “efeito-Rei Midas” do futebol, porém, não pára por aí. O técnico Parreira – pois é, aquele... – é outro que parece ter o dom de transformar em ouro tudo o que toca. Bem mais modesto, mas igualmente exorbitante, é o seu salário de US$ 254 mil ao mês para comandar a seleção da África do Sul. A quantia gerou polêmica pois, além de ser superior à remuneração que o presidente do país recebe em um ano, é contrastante com a realidade miserável do continente.


      No Brasil a situação não é diferente. Aqui também os jogadores acumulam somas incompatíveis com a média salarial do trabalhador comum. Um exemplo gritante e bastante ilustrativo é o lateral-direito Coelho, do Atlético-MG, que disputou a última temporada como reserva do Corinthians. Mesmo praticamente não atuando, o jogador recebia mensalmente R$ 90 mil. O detalhe é que o salário mínimo é de R$ 350.


         O mais impressionante disso tudo, o que mais espanto e horror me provoca é, sem dúvida, a banalização do absurdo. Fico perplexa diante da naturalidade com que o torcedor fala dessas quantias milionárias - valores que ele próprio dificilmente somará um dia. Como se fosse normal essa discrepância entre os salário do atleta e o do professor, do médico, do operário, do policial, do..., do..., do... Quando renuncia à capacidade de se indignar diante de tantos zeros, o torcedor aceita. E já nem mais se pergunta se alguém precisa mesmo de US$250 milhões para viver.


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  • Postado em 10:15:56

03.10.06

A RESPONSABILIDADE

categorias: OUTROS ASSUNTOS


Técnico por um dia

    O brasileiro carrega em si um espírito de ténico de futebol. Não há quem não tenha na ponta da língua o seu elenco e a tática com o qual o time seria, com certeza, imbatível. Todos nós gostaríamos de, nem que fosse só por um dia, ser o treinador da seleção brasileira. Poder escolher os melhores e extrair-lhes o máximo de suas habilidades.

    Eis que este momento de escolha e cobranças nos chega. Mas o estádio é outro, a competição é outra, os esquemas de jogo são outros. Bem mais sórdidos, vale dizer. O fato é que no domingo, 29 de outubro, cada cidadão brasileiro terá o seu dia de técnico e terá que convocar um presidente para o Brasil.

    A diferença é que o treinador pode eleger vinte e três jogadores e você escala apenas um presidente. Assim, se o teu escolhido pisar na bola ou der canelada, não há como disfarçar. Não vai ter ninguém para compensar o anti-jogo. Além disso, você não convoca o presidente para um campeonato ou temporada, mas por seguidos e ininterruptos quatro anos. Muita bola rola durante esse tempo.

    Por isso é que cada cidadão-técnico tem que acompanhar de perto o seu atleta. Não adianta colocá-lo em campo e correr para o vestiário. Tem que ficar próximo às quatro linhas para orientá-lo. Incansavelmente. “Cai mais pela esquerda, presidente!” ou “Mais atenção com a Corrupção! Force a marcação em cima dela!”.

    Aliás, uma das partidas mais difíceis do Brasil tem sido contra a Corrupção. Este time é bem estruturado, ataca com despudor e tem vencido de goleada. Nenhum dos dois aspirantes à vaga no time principal atuou nesta equipe, pelo menos não que se tenha notícias.

    Mas Alckmin bem que andou tabelando com ídolos do clube e demonstrou entrosamento, Lula, por sua vez, levou bola pelas costas porque subestimou o adversário. O atual dono da posição não acompanhou de perto os lances e quase deixou o gramado contundido mas, como todo bom nordestino, soube driblar a má fase.

    E driblou tão bem que voltou com tudo para a partida contra a Fome, seu ex-clube. Apesar de não ter saído de campo com os três pontos, bateu um bolão e coroou a bela exibição marcando um golaço, o Fome Zero. A torcida vibrou enlouquecida nas arquibancadas.

    Alckmin pisou na bola quando criticou o gol do companheiro (falta de espírito esportivo!), mas reconheceu o erro e resolveu que o acrescentaria ao seu repertório de jogadas. Precisa, agora, é treinar bastante, já que esta não é propriamente a sua habilidade.

    Encarar a Violência também não foi o forte do tucano. Levou um chocolate! O PCC, principal atacante desta equipe tão bem armada, teve espaço demais para jogar. E criou bastante, exibindo todo o seu poderio ofensivo. Em contrapartida, Alckmin foi mais inofensivo do que a seleção de Parreira Naquele jogo contra a França. Só deu bola fora.

    O petista também não fez lá a sua melhor partida, mas pelo menos se ofereceu para ajudar o companheiro na marcação. Se o outro tivesse aceito, talvez o Brasil pudesse ter arrastado a disputa para a prorrogação. Virar o jogo, infelizmente, ainda não seria possível.

    Agora os dois jogadores estão aí, correndo por uma vaga na equipe do país. O fã-clube Lula é grande, mas Alckimin também distribui autógrafos. Este último começou a entrar mais duro, às vezes de forma até desleal, quando percebeu que Lula é o queridinho do povão que freqüenta a geral.

    Essas apelações às vésperas da decisão foram mais criminosas do que carrinho por trás. Cartão vermelho na certa. Não, mais que isso. Um time que atua assim deveria ser eliminado da competição e o rival vencer por WO. Não adianta querer ganhar no grito, o povo quer ver é bola na rede.

    Dia 29 é a grande finalíssima. E está chegando. O tempo é curto e cada técnico brasileiro precisa aprimorar o seu potencial olheiro para definir qual dos dois aspirantes merece a vaga. Qual deles se encaixa melhor no esquema de jogo que você considera vencedor.

    Eu não poderia deixar de declarar aqui - e onde mais precisar - que no meu time joga o Lula. Por ser paulista, tive a oportuniadde de acompanhar Alckmin, desde os tempos em que era reserva de Mário Covas. Definitivamente, seu futebol não me agrada. Não quero que o meu Brasil atue pela direita e, tampouco, que a privatização de estatais seja a principal jogada do meu presidente.

    Tudo bem que Lula não está em sua melhor fase. Na última temporada eu diria que ele foi, no máximo, um bom jogador. Mas estava fora de posição, caindo muito pelo centro. Jogando na esquerda, como nos tempos do ABC, Lula é craque. E tem estrela.
   
    Por isso, mesmo que o gol demore a sair e a bola insista em bater na trave, no ínício, mesmo que Lula tome um outro franguinho e que erre as cobranças de pênalti, no começo, mantenho-me otimista. Se o atual presidente jogar tudo o que sabe, a vitória brasileira é inevitável. Ele tem garra, raça e joga limpo. Para ele, não tem bola perdida.

    Sendo assim, se Lula entrar em campo com amor à camisa e colocar o coração no bico da chuteira, tem tudo para brilhar. E eu, torcedora apaixonada pelo Brasil que sou, vou estar na arquibancada, pronta para vibrar.
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  • Postado em 18:03:15

05.09.06

O MERCADO

Ajustando os ponteiros do futebol

    O tocedor que no início do Campeonato se orgulhava de saber na ponta da língua a escalação de seu clube já não tem mais do que se envaidecer. Com a constante ida e vinda de ténicos e jogadores – sobretudo com a abertura das negociações para a próxima temporada do futebol europeu – vai ser difícil alguém ter certeza de qual será o perfil das equipes daqui para a frente. Uma coisa, porém, eu espero que ninguém duvide: é extremamente danoso para o futebol nacional essa flutuação interminável.


    Alguns times perderam seus atletas para o Departamento Médico. Ossos do ofício. Contusões são acidentes de trabalho e, como tais, acontecem indiscriminadamente. Claro que algumas equipes parecem ser mais suscetíveis a esses contratempos, mas é mera impressão. O fato é que, por mais insubstituível que um craque possa parecer (no grupo e no coração da torcida), deve-se sempre ter no elenco substitutos à altura. Um grande time, como se sabe, não pode ostentar apenas onze bons jogadores. Os imprevistos fazem parte da vida da gente.

    Há, também, aqueles clubes que se desfizeram de seus treinadores ou boleiros como conseqüência dos maus resultados obtidos. À primeira vista a iniciativa parece acertada, afinal, se não está dando certo é necessário que se faça mudanças. Mas os precipitados se esquecem de que os placares adversos, em muitas vezes, são resultado da falta de entrosamento do elenco. Assim, quanto mais alterações são feitas, menor a possibilidade de ajustamento e sintonia. A desastrosa atuação canarinha na Copa evidencia que de nada adianta uma constelação se não houver coesão no grupo.

    Mas a boa seqüência de resultados também não é determinante para que um profisional se mantenha no clube, ao contrário, em vários casos ela é a grande responsável por desatar esses laços. E se é verdade que “em time que está ganhando não se mexe”, como afirma a máxima esportiva, então a transação acarretaria um prejuízo incalculável. Bom, sim e não. Não, porque com as conquistas vem a valorização do passe do jogador, de forma que sua transferência encha os cofres do time. Sim, porque desmancha-se um grupo coeso e vitorioso, daqueles que não se reconstitui facilmente, sendo que a quantia obtida dificilmente se reverte em melhoras ou novas contratações. Na balança, geralmente o ônus supera o bônus. Como em quase tudo.

    Em virtude de algum destes fatores – ou de todos eles - há clubes com dficuldade em repetir seguidamente a mesma escalação ao longo da competição. O resultado disso, como se vê, é um futebolzinho inexpressivo, recheado de passes errados, placares enxutos, jogadas sem criatividade e pontapés criminosos na bola e nos adversários. O pobre torcedor, coitado (sempre ele...), precisa mergulhar em seu âmago e se nutrir da paixão desenfreada que sente pelo time para não aposentar a camisa do clube. Acompanhar o futebol, nos dias de hoje, é antes de tudo um ato de fé.

    A grande debandada de craques durante a competição, porém, acontece com a abertura das portas do Velho Continente. Por isso é que deixei este item por último. Os mais atentos devem ter penasdo: “Ela se esqueceu”. Antes fosse. Basta abrir o jornal pela manhã que o que houver de amnésia desapareça. Não tem jeito, quando incia a época de “caça” das principais potências do futebol europeu, os olhinhos de muitos jogadores no Brasil começam a brilhar e a imaginação a rola solta. Aí é que os problemas acontecem.

    Quando o mercado europeu começa a sugar os atletas brasileiros, feito um imenso aspirador que vai engolindo tudo o que encontra pela frente, é um tal de jogador querendo mostrar futebol, um tal de jogador querendo se poupar de contusões, um tal de jogador forçando negociações... Tomados pela ânsia incontrolável de vestiar a camisa de clubes europeus - quaiquer que sejam eles – e de receberem seus salários em euro, muitos boleiros viram às costas à torcida que os acolheu de peito aberto.

    Fico pensando: se o Brasil é o único pentacampeão do mundo, e se é daqui o melhor jogador de todos os tempos, por que nós é que temos que nos ajustar ao calendário europeu e não o inverso? Imagine a lógica oposta: as equipes brasileiras começam e terminam seus campeonatos com o mesmo grupo e, ao final da temporada, iniciam a etapa de negociações. Do outro lado do mundo, onde ninguém reúne a mesma fartura de craques, eles se degladiam para nos enviar seus atletas e obterem belos exemplares dos nossos - mesmo com seus torneios em andamento. Afinal, suas equipes que se virem para entrosarem o elenco na metade da competição.

    Engraçado? Pois penso justamente o contrário: é triste. É doloroso constatar que, no mundo da bola, quem dá as cartadas é quem dispõe de mais recursos financeiros e não de jogadores habilidosos. Isso porque, apesar de eles não se darem conta, pois estão bastante entorpecidos com fama e riqueza, também a eles não pertence a sua habilidade. As grandes potências européias a compram, utilizam como bem entendem, sugam até a última possibilidade e nos devolvem o bagaço, quando já não precisam mais. Definitivamente, é hora de ajustar os ponteiros do futebol mundial.

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  • Postado em 08:27:19