Futeblog-Penélope Toledo

Um blog com informações, discussão e desabafos sobre futebol, que tenta pensar o esporte e não apenas descrevê-lo. Tudo isso, claro, com a linguägem apaixonada do torcedor. "O pior cego é o que só vê a bola" (Nélson Rodrigues)

Futeblog-Penélope Toledo

Um blog com informações, discussão e desabafos sobre futebol, que tenta pensar o esporte e não apenas descrevê-lo. Tudo isso, claro, com a linguägem apaixonada do torcedor. "O pior cego é o que só vê a bola" (Nélson Rodrigues)
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Terra Blog

Categoria: CARTOLAS

19.06.07

O FUTEBOL EUROPEU

 
Espanhol aonde???

    O brasileiro Robinho tocou a bola para o argentino Higuaín, que rolou para o meio da área e o espanhol Reyes completou para o fundo do gol. A jogada descrita não faz parte de um comercial de televisão, uma partida bneficiente reunindo  craques de todo o planeta ou mesmo uma exibição da seleção mundial. Trata-se do gol de empate do Real Madrid contra o Mallorca, na partida em que o time merengue sagrou-se campeão espanhol.

    Dos onze jogadores que iniciaram o confronto pela equipe madrilena, apenas Casillas, Michel Salgado, Sergio Ramos e Raul, o capitão, são espanhóis. Os outros sete em campo no momento do apito inicial eram estrangeiros, sendo três brasileiros (Roberto Carlos e Émerson são os outros), um italiano, um inglês, um holandês e até um malinês, o volante Diarra. Mesmo na arquibancada, o casal de astros estadunidenses Tom Cruise e Katie Holmes vibrava com o time de Capello e internacionalizava ainda mais a conquista.

  Com todo respeito ao nacional da Espanha, que foi emocionante até a última partida, seu campeão pode ser tudo, menos espanhol.
                                                                                 

    Há quem exalte esta salada mixta de pátrias e origens, enaltecendo os efeitos da globalização. 'Se o planeta não tem mais fronteiras, por que o mundo da bola haveria de ter?', se perguntam. E assim, naturalizam o êxodo  desenfreado de craques para os grandes clubes europeus, se esquecendo que a globalização tem um custo. Que costuma ser alto.

    Primeiro porque não é universal. Contempla a poucos, serve apenas a uma minoria, apesar de se travestir em direito amplo e irrestrito. Evidentemente qualquer time pode contratar ídolos de outras naturalidades, se quiser. E se tiver dinheiro. Dinheiro para enviar olheiros para outros países, dinheiro para sustentar uma estrutura que permita receber esses 'imigrantes', dinheiro para atrair e pagar os salários (que precisam minimamente ser mais altos dos que o boleiro recebia em seu país de origem). E o que é pior, dinheiro para concorrer com as ofertas das grandes potências econômicas do universo esportivo.

    O resultado disto é que os times com menor poder aquisitivo (que curiosamente se concentram em sua maioria na América do Sul, com destaque para aquele paisinho verde-e-amarelo) assistem impotentes à evasão de seus principais atletas. E este é o segundo preço que se paga por um mercado interplanetário, que se auto-regula e ultrapassa os limites territoriais.

    Cada vez que se abre a janela de transferência para o futebol europeu, os times brasileiros são violentamente amputados. E isso pode acontecer nos períodos de pré-temporada nacional ou em meio às competições, já que os cameponatos do outro lado do Atlântico terminam no meio do ano, quando os nossos ainda estão em andamento. A Fifa bem que tentou propor o debate sobre a tão unificação dos calendários, mas se amedrontou diante da recusa eufórica dos donos da grana.

    Assim, perde o torcedor latino-americano, que vê seus torneios serem enfraquecidos pela evasão de grandes jogadores e tem que se contentar com disputas medíocres, muito aquém da grandeza incontestável de seu futebol. Mas perdem também as seleções dos países europeus, já que os clubes são povoados por craques das mais variadas nações e muito poucos são revelados em territórios nacionais. (A Itália foi campeã do mundo, é verdade, mas verdade seja dita: essa Copa na Alemanha não deve ser referência para ninguém...).

    Por isso, conclamo os europeus a se somarem na árdua missão de convencer a Fifa de que é necessário impôr o limite ao número de jogadores estrangeiros nos clubes. É uma forma de assegurar que suas pátrias amadas revelem talentos e sejam bem representadas perante o globo terrestre nas competições internacionais. Abraçar esta causa é, pois, um dever patriótico. Mais que isso, representa a verdadeira globalização: a do bom senso. Que todos no mundo se unam na corrente pela nacionalização de seus atletas e no investimento de soluções caseiras para a crise no futebol mundial. Torcedores de todo o mundo, uni-vos!
  • criado por  petoledo criado por petoledo
  • Postado em 18:21:08

02.04.07

O NOVO CAMPEÃO

A Taça do Mundo é de todos nós


          Os mais desavisados possivelmente terão uma surpresa ao visitarem o site da Fifa e se depararem com o Palmeiras figurando entre os clubes campeões mundiais. Na certa se julgarão desatualizados por desconhecerem a ida do Verdão à Tóquio nos últimos meses e quanto a isso, não precisam se preocupar: desde 1999 o alviverde paulista não pisa em solos japonenses. A conquista do planeta a que a Federação se refere aconteceu no longínquo ano 1951, com o triunfo na Copa Rio, mas foi tardiamente reconhecida pela entidade máxima do futebol. E a elevação do Porco ao status de “melhor do mundo”, se somando ao seleto grupo que inclui São Paulo (1992, 93 e 2005), Santos (1962 e 63), Corinthians (2000), Flamengo (1981), Grêmio (1983) e Internacional-RS (2006), evidentemente provocou polêmica e reascendeu a chama da rivalidade.


    Os corinthianos e são-paulinos são os primeiros a esbravejarem e colocarem em cheque o feito palmeirense. Se esquecem que seus próprios títulos também não são imunes à contestação: o do alvinegro não foi antecedido pela conquista da Libertadores da América e os dois primeiros do Tricolor não contaram com a participação de clubes de todos os continentes. Sendo assim, faz-se necessário que amputemos nossos corações torcedores, que nos induzem invariavelmente à miopia analítica, para compreendermos que o reconhecimento da conquista foi legítimo. Documentos atestam que o torneio foi realizado sob o aval da Fifa, traduzido no acompanhamento por parte de seu secretário geral Ottorino Barassi, na indicação de árbitros e coroado com a ilustre presença do então presidente da entidade, Jules Rimet, na finalíssima.


          É claro que o coro dos antipalmeirenses não se cala diante destes argumentos, uma vez que a Copa Rio não é propriamente um exemplo de representatividade, já que foi protagonizada por apenas oito equipes e somente Europa e América do Sul enviaram participantes. Mas há que se lembrar que na primeira Copa do Mundo, em 1930, nada mais do que treze seleções desembarcaram no Uruguai, sendo que Bélgica, França, Iuguslávia e Romênia foram os únicos europeus que atravessaram o Atlântico para prestigiar o evento. Ainda assim, e Celeste é considerada o primeiro país campeão do mundo. E nem poderia ser diferente, afinal, cada época organiza suas competições segundo suas especificidades e grau de desenvolvimento. Seria demasiada levianidade exigir que a primeira edição de um campeonato equivalesse em acertos à última. Vai-se experimentando até que se encontre o modelo mais próximo do ideal, é fato.


            O grande problema do reconhecimento do Palmeiras como campeão mundial, no entanto, não está no merecimento, mas nos meios que utilizou para legitimar seu mérito. Desde que começou a pleitear o posto, em 2001, dirigentes do clube percorreram gabinentes de parlamentares e cartolas em busca de apoio e se entregaram a lobbys viciosos que, dentre outras figuras, incluíram o comunista Aldo Rebelo, o tucano José Serra e o presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, os três alviverdes de coração e alma. Enfim, o time do Parque Antártica acendeu uma vela para Deus e outra para o diabo para conseguir se cacifar em busca da consagração retardada. E se essa onda de vale-tudo pega, como parece que vai acontecer, abre brechas a outros times agirem com igual despudor. O Fluminense, campeão da Copa Rio de 52, é o próximo na fila pela benção da Fifa. Claro que se o tricolor do Rio atestar o seu merecimento, nada mais justo que ostente a tão sonhada estrela na camisa. Mas é preferível que para isso não se utilize de meios tão sórdidos, porque senão a coisa avacalha.


            Mas a pergunta que insistentemente martela e no peito e não quer dar sossego é: “Comemorar um título alcançado há cinqüenta e seis anos é igualmente entusiasmante?”. Na minha opinião não é. Não pelo campeonato em si. Vale pela justiça, pelo ressarcimento de uma conquista, pela redenção histórica. Vale também pela festa tardia, pelo grito sufocado, pela eurofria contida, pelo desabafo às humilhações sofridas ante os rivais durante todos esses anos. Vale, ainda, pelo prazer inenarrável de se estufar o peito e gritar até que falte oxigênio no pulmão: “Meu time é campeão do mundo!”. E vale, principalmente, por abastrecer de argumentos os torcedores (os palneirenses enaltecendo o feito, os rivais o desqualificando) e nutrir o folclore do esporte bretão. Porque o futebol vive mesmo é desses momentos cotidianos de rivalidade sadia, de provocações equilibradas e de gozações conseqüentes. É essa cagra de incerteza que torna o mundo da bola tão fascinante.

  • criado por  petoledo criado por petoledo
  • Postado em 21:19:15

08.01.07

RIVAIS x ELEIÇÕES

Diferentes, mas nem tanto 

            Que Corinthians e Palmeiras são absolutamente antagônicos entre si é inquestionável – e quem ousar defender o contrário instigará a fúria de ambas as torcidas. São paixões essencialmente confrontantes e inconciliáveis. Os dois clubes não têm praticamente nada em comum, exceto o mais triste: ambos vivem um momento histórico delicado. Além das campanhas pífias dos arquirivais no último Brasileirão, os inimigos estão às vésperas de suas eleições para o conselho deliberativo e sofrem da mesma falta de perspectiva.

  

            Os primeiros a irem às urnas são os corinthianos. No próximo dia 14, a nação alvinegra terá que escolher entre o grupo de Dualib, a situação, ou o de Andrés  Sanchez, a oposição. O atual presidente está há treze no comando - era marcada por muitas glórias, sim, mas também por obscuridade e problemas gravíssimos de gestão financeira. Sanchez, por sua vez, não parece ser a solução. O ex vice-presidente do Timão é amigo do iraniano Kia Joorabchian e durante muito tempo foi defensor ferrenho da parceria com a MSI. Ou seja, seria trocar seis por meia dúzia.

 

            No outro Parque, o drama se repete. Também no alviverde, situação e oposição se assemelham de tal forma que se confundem e dificultam a dissociação entre um e outro. No dia 22 de janeiro, a chapa de Affonso della Monica tenta manter o poder diante da de Roberto Frizzo, apoiado por ninguém menos que o ex-presidente Mustafá Contursi. Lá a circunstância é muito parecida com a cena que George Orwell escreveu no clássico A Revolução Dos Bichos: “As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez. Mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco”. 

           

             Infelizmente os dois arquirivais se igualam no que há de mais negativo. Os corinthianos queriam que fosse assim só com o Palmeiras, para zombarem os adversários. Os palmeirenses, por sua vez, desejariam o caos apenas no Corinthians, para debochar dos oponentes. Eu, para falar a verdade, não queria que estivesse acontecendo com nenhum, porque são grandes times, vitimados pelas más administrações. E, ademais, nada como ambos estarem fortes e em igualdade de condições para reascender uma das rivalidades mais deliciosas do futebol brasileiro.

 

         O que, lamentavelmente, não vai ser conquistado através destas eleições para o conselho deliberativo e nem da de presidente, no próximo ano.

  • criado por  petoledo criado por petoledo
  • Postado em 16:39:59

13.09.06

A REBELDIA

 Juízo demais

 
"Portanto,não percam a coragem, porque ela traz grande recompensa”
(Hebreus 10,32-35)


    Uma frase constantemente repetida no futebol é aquela: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”. A origem da declaração é desconhecida e provavelmente bastante antiga mas, ironicamente, ela parece ressurgir cada vez mais atual. A cada dia que se passa, os poderosos ficam mais mandões e os ajuizados, mais silenciosos. Em uma carreira tão efêmera quanto a de um boleiro – seja ele jogador ou técnico – fazer “vista grossa” aos soberanos parece estar sendo a solução mais sadia para garantir a sobrevivência.

    Em alguns clubes quem manda é o presidente. E manda tanto, mas tanto, que se sente no direito de extrapolar suas funções naturais e acumular também a de treinador. Não é de hoje que em clubes como o Vasco da Gama, o dirigente máximo se intromete até mesmo na escalação do time. Isso sem falar nas ameaças públicas feitas a jogadores e declarações infelizes aos meios de comunicação – como se a imprensa também estivesse inserida em seus domínios. Posso estar sendo retrógrada e assumo esse risco mas, para mim, presidente tem que presidir. É uma função político-administrativa, não técnica. Cada macaco no seu galho.

    O poder no futebol, como na sociedade, também está muito associado ao dinheiro. Assim, em clubes como Fluminense e Corinthians, dentre tantos outros, quem manda é o capital. Que se personifica, é claro, na figura do patrocinador. Recentemente, o comandante tricolor Oswaldo de Oliveira foi inesperadamente demitido do cargo, após colocar um jogador contratado pelo patrocinador no banco de reservas. Ele garante que houve pressão dos donos da grana para que a sua cabeça rolasse.

    No Timão a situação é ainda mais delicada, sobretudo porque não se sabe ao certo a origem das somas de quem manda. Fala-se até em lavagem de dinheiro. O fato é que as verdinhas existem e vêm em bastante quantidade. Diretamente proporcional é o poder do patrocinador, que assume uma série de funções incabíveis, como escolher os jogadores que serão contratados, autorizar liberações de atletas em treinos e jogos e conversar com a imprensa como se seus representantes fosses assessores. O patrocínio é um apoio financeiro em troca de visibilidade, não pode significar - em momento algum! - a propriedade do clube.

    O episódio talvez mais conhecido de intromissão foi protagonizado pelo ex-ditador Emílio Garrastazu Médice, que queria a convocação de Dario para a seleção brasileira. O tirano teve que engolir seco a resposta afiada do então treinador, o comunista João Saldanha: “Quem escala a seleção sou eu. O presidente escala seu ministério”.

    Mas a audácia geralmente tem um preço – e costuma custar caro. Depois de ter montado a base da seleção que se sagraria tricampeã do mundo, o técnico foi substituído por Zagallo. O Velho Lobo ficou com as honras da conquista no México todas para ele. A satisfação indescritível de se deitar a cabeça no travesseiro e ter a certeza de que jamais se curvou para os demandos de um general, porém, ficaram para Saldanha. E isso ninguém conseguiu lhe arrancar.

    Infelizmente, o ex-treinador da seleção era uma figura ímpar. E já não está mais aqui para afrontar as ordens. Hoje em dia o futebol carece de personagens assim, desajuizados. Nos dias atuais o esporte bretão está obediente demais, disciplinado demais, adestrado demais. Quem pode manda, e impera absoluto. E quase todo mundo tem juízo para obedecer. O mundo da bola suplica por alguém que desafie, que desacate, que aja à revelia das normas.

    Apesar de ser angustiante, porém, mantenho-me otimista: cedo ou tarde aparece um novo contestador que vire esse mundo de pernas para o ar. E vai ser gratificante ter esperado. Os mandões nem desconfiam, mas eles não podem tanto assim. Não adianta, o dinheiro não compra a rebeldia do Homem.
  • criado por  petoledo criado por petoledo
  • Postado em 21:28:26

24.08.06

A HERANÇA

categorias: CARIOCA, CARTOLAS


Até quando vai ser assim, Rio de Janeiro?

    Lendo e ouvindo informações sobre o enterro do ex-presidente da Federação Estadual de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj), Eduardo Viana, inevitavelmente me veio à cabeça aquela cena clássica – e até mesmo clichê – dos parentes reunidos no velório em torno do corpo do falecido milionário, chorando copiosamente - como se quisessem provar que a sua dor é maior do que a dos outros – e, por cima dos óculos escuros, entreolhando-se desconfiados, numa espécie de “guerra-fria” da disputa pela herança.

    Não é humor negro, falo sério. Como dizia a minha avó, “nem bem o sujeito desencarnou”, e as corridas de bastiores pela sucessão na presidência da Federação já começaram. Nem o sofrimento da família eles respeitaram. Nem mesmo a aura mista de morbidez e libertação dos cemitérios os intimidou. Nem o descanso profundo em que se encontravam os futuros vizinhos de Caixa d'Água foi motivo suficiente para adiar-lhes a necessidade de definirem nas mãos de quem estará o poder de agora em diante. A paz perpétua dos mortos foi incomodada pelos cochichos e conversas de corredoredor.

    Triste é saber que essa pressa toda não é em preocupação ao futebol carioca, que agoniza e se não for urgentemente socorrido, em breve fará companhia ao seu ex-presidente – e nem vou falar da contribuição do dito cujo para a crônica situação atual do esporte bretão no Rio, porque prefiro deixá-lo subir ou descer em paz, com todo o respeito.

    O mais trágico de tudo é constatar que a urgência em se definir entre Rubinho (Rubens Lopes), o vice-presidente, Hildo Nejar, o preferido de Viana, ou a convocação de novas eleições não tem como objetivo central a recuperação do esporte no Estado, mas a pura e simples tomada do poder por um grupo ou por outro. O que está em jogo não são dois projetos antagônicos de planejamento e investimento – palavras que, talvez, sequer pertençam ao vocabulário dos personagens em questão – e sim a rivalidade dos que anseiam por mais poder e influência no futebol carioca.

    Diante de duas possibilidades tão entranhadamente semelhantes entre si, salvo pequenos detalhes, e que significam nada além do continuísmo à administração anterior, que sabidamente apresentava "falhas" - para não provocar a ira dos que se foram - fica difícil acreditar que o futebol carioca tem a possibilidade de renascer agora.

    Vai demorar algum tempo, ainda, para que o torcedor possa estufar o peito e dizer com orgulho: "a cartolagem do meu Estado atua com seriedade". A sorte é que seus vizinhos também não têm tido lá muito o que comemorar e, nivelamento-se por baixo, não vai ser surpresa sealgum time do Rio chegar en tre os primeiros.
  • criado por  petoledo criado por petoledo
  • Postado em 17:47:56