Brasil e a lenda da Medusa
Há uma lenda na mitologia grega em que todas as pessoas que encaravam Medusa, um monstro cuja cabeleira era em forma de serpentes, ficavam petrificadas. Os jogadores do Brasil parece que sofrem deste mal, quando se vêem diante da seleção francesa. E olha que Zidane nem cabeleira tem! Mas, se não for isto, como explicar as atuações apáticas dos canarinhos sempre que encaram o time gaulês?
Se não for mesmo o tal “efeito Medusa”, qual a razão da imobilidade de Roberto Carlos no lance em que Thierry Henry recebeu a bola em suas costas e afundou a rede brasileira? Qual o motivo da inércia de Ronaldo, Kaká e Ronaldinho Gaúcho – que não marca gols vestindo o manto verde-e-amarelo há um ano! - durante toda a partida? Não, se não estavam engessados, por que será que o primeiro chute a gol só veio aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo?
Como não sou adepta da teoria da conspiração – pelo menos prefiro não ser leviana em levantar acusações infundadas, às quais não posso provar – acredito que o Brasil perdeu porque entrou em campo desmotivado. Ou excessivamente confiante. E porque não tinha opções de ataque, já que o meio de campo estava congestionados e, nas laterais, Cafu e Roberto Carlos se arrastavam.
Se Parreira tivesse colocado o Cicinho antes, e se tivesse apostado em Gilberto, eles poderiam ter feito jogadas de linha de fundo; como foi na partida contra o Japão. E poderiam ter atraído os marcadores para as beiradas do campo, deixando o meio um pouco mais livre para se criar jogadas. Assim como, se tivesse chamado Robinho, ao invés de Adriano, ele poderia ter dado velocidade e vida ao ataque; como fez nos jogos em que foi solicitado.
Mas como o futebol não vive da condicionante “se” - até porque se a bola fosse quadrada seria bem mais difícil de se jogar – não adianta ficar lamentando pelo que já aconteceu. Agora é bola prá frente (literalmente, pois continuamos admirando o futebol ofensivo). E que sigamos o exemplo de Perseu, que não se intimidou diante do poder petrificante de Medusa e arrancou-lhe a cabeça.
A França bem que tentou temer o Brasil no início do jogo, mas logo percebeu que não havia motivos. Então impôs o seu ritmo de jogo: foi competente, organizada, teve raça e fez belas jogadas. Zidane não merecia mesmo se aposentar num joguinho daqueles. Se o Brasil não despertar, continuará sendo derrotado e ridicularizado pelo time de Zizou. Até porque, “Brasil freguês” tem treze letras. E os franceses sabem bem disso.