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		<title>Futeblog-Penélope Toledo</title>
		<link>http://petoledo.blog.terra.com.br</link>
		<description>Um blog com informações, discussão e desabafos sobre futebol, que tenta pensar o esporte e não apenas descrevê-lo. Tudo isso, claro, com a linguägem apaixonada do torcedor. 

"O pior cego é o que só vê a bola" (Nélson Rodrigues)</description>
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			<title>A IMPORT&#194;NCIA</title>
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S&#243; o&#160;futebol &#233; capaz
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&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; &#34;Dane-se a orienta&#231;&#227;o sexual dele, o importante &#233; que jogue bem&#34;. A frase, com varia&#231;&#227;o de termos, tem sido constantemente repetida por muitos s&#227;o-paulinos sobre a suposta homossexualidade do jogador Richarlyson. Mais do que seu conte&#250;do, que &#233; evidente independentemente de cren&#231;as e valores, a declara&#231;&#227;o nos alerta para uma constata&#231;&#227;o importante: o futebol &#233; o principal canal de debates da nossa sociedade. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; &#201; curioso que indiv&#237;duos que fora do est&#225;dio normalmente se fecham para o tema da homossexualidade, com posturas intolerantes ou indiferentes, sejam levados a pensar sobre o assunto e at&#233; mesmo a formar opini&#227;o sobre ele somente atrav&#233;s do esporte bret&#227;o, que &#233; justamente onde eles menos esperavam ter que se deparar com as quest&#245;es pol&#234;micas da sociedade. O fato &#233; que o futebol provoca reflex&#245;es que as pessoas se recusam ou se omitem a travar em outras esferas sociais. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Porque predominantemente o brasileiro se esquiva a falar de viol&#234;ncia urbana, mas &#233; capaz de tecer longos coment&#225;rios sobre a viol&#234;ncia nos est&#225;dios de futebol - nas arquibancadas ou nos campos. Ele se nega a opinar sobre infla&#231;&#227;o, mas protesta veementemente quando a federa&#231;&#227;o eleva o valor do ingresso sem que o seu sal&#225;rio acompanhe o aumento. Ele n&#227;o quer saber sobre a corrup&#231;&#227;o no Planalto Central, mas pode descrever com riqueza de detalhes os esc&#226;ndalos de corrup&#231;&#227;o entre dirigentes de clubes e federa&#231;&#245;es. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Preconceitos como racismo, machismo e a falta de inclus&#227;o social do deficiente tamb&#233;m&#160;s&#243; assombram quando acontecem no mundo da bola. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; &#160;E n&#227;o &#233; apenas a in&#233;rcia de pensamento, mas tamb&#233;m de sentimento que o futebol movimenta. Muitas pessoas s&#243; se permitem desfrutar de determinadas sensa&#231;&#245;es quando assitem ao jogo do seu time de cora&#231;&#227;o. A&#237; &#233; um tal de quem nunca chora chorar, de quem nunca grita gritar, de quem nunca teme temer, de quem nunca abra&#231;a abra&#231;ar, de quem nunca ama amar... O futebol &#233;, pois, uma licen&#231;a em que as pessoas se permitem pensar e sentir o mundo, quando a regra do cotidiano &#233; justamente o oposto. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; A pergunta inevit&#225;vel &#233;: por que ele? Logo ele, que n&#227;o se reivindica mais do que um esporte! (embora sua relev&#226;ncia social deixe cada vez mais evidente que n&#227;o passa de pura mod&#233;stia). N&#227;o existe uma resposta pronta, evidentemente, pois o futebol - assim como a vida - n&#227;o &#233; preciso. Talvez seja porque ele &#233; uma v&#225;lvula de escape, como insistem alguns pensadores. Ou talvez porque a identifica&#231;&#227;o do torcedor com ele seja maior do que com o mundo, j&#225; que no futebol todas as opini&#245;es e sentimentos s&#227;o importantes. E, pasmem, t&#234;m o mesmo valor. J&#225; no mundo...
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			<link>http://petoledo.blog.terra.com.br/a_importancia</link>
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			<title>O FUTEBOL FEMININO</title>
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O dia seguinte 
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Nunca vi o Maracan&#227; bonito daquele jeito. Os mais antigos juram &#8211; e os n&#250;meros atestam &#8211; que j&#225; esteve mais cheio e, quem sabe, at&#233; mais colorido. Mas os tempos, e o mundo, eram outros. Devido &#224;s brigas, aos hor&#225;rios, &#224; evas&#227;o de nossos craques e a conseq&#252;ente m&#225; qualidade dos campeonatos, ao conforto do sof&#225; da sala e pr&#243;prio valor do ingresso, h&#225; tempos o Maraca n&#227;o recebia tanta gente. E o mais fascinante &#233; que aquele espet&#225;culo m&#225;gico de bandeiras, bexigas, cantos, palmas e coreografias oriundo das arquibancadas reverenciava a sele&#231;&#227;o brasileira de futebol... feminino. 
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; E como jogam aquelas meninas! Jogam pra frente, com aud&#225;cia, mais preocupadas em balan&#231;ar as redes do que em n&#227;o sofrer gols &#8211; e podem jogar ofensivamente porque perder, para quem &#233; desacreditado, tamb&#233;m n&#227;o prejudica demais. Driblam, gingam, d&#227;o toques de efeito - e precisam jogar bonito, porque ainda est&#227;o convencendo aquela plat&#233;ia de que o futebol tamb&#233;m &#233; feminino. Jogam como se brincassem, com irrever&#234;ncia, de forma alegre e espont&#226;nea - e est&#227;o certas em se divertir, porque afinal est&#227;o desfrutando de um prazer que foi negado &#224;s suas antecessoras. O futebol delas &#233; t&#227;o brasileiro que contagia at&#233; mesmo os est&#250;pidos que torcem o nariz para reconhecer que elas sabem tratar bem a bola. 
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Pena que o jogo acabou (se bem que com uma bonita goleada por 5 a 0 e a medalha de ouro no peito). O Maracan&#227; esvaziou, e pode demorar muito tempo para ficar bonito daquele jeito outra vez. A festa terminou, e possivelmente s&#243; se repita daqui h&#225; um ano, nas Olimp&#237;adas, tr&#234;s, na Copa do Mundo, ou quatro, no pr&#243;ximo Pan. As pessoas foram embora para as suas casas e talvez nem se lembrem no dia seguinte &#8211; ou n&#227;o se permitam lembrar - de que as mulheres protagonizaram naquela tarde o futebol mais bonito que suas retinas testemunharam nos &#250;ltimos tempos. Pena que depois de todo &#234;xtase, existe o dia seguinte. 

(&#233; como se, ao se curar de um porre, perceber que preferia estar entorpecido porque o mundo real &#233; bem mais desconexo; por incr&#237;vel que pare&#231;a). 

&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Mas um del&#237;rio pode mudar a vida das pessoas; ou n&#227;o. Se mudar, elas v&#227;o entender que j&#225; est&#225; mais do que na hora do Brasil criar ligas e federa&#231;&#245;es de futebol feminino; de realizar regularmente campeonatos; dos clubes possu&#237;rem departamentos espec&#237;ficos, montarem equipes e profissionalizarem as suas atletas; dos patrocinadores investirem e nos ajudarem a manter aqui no pa&#237;s as nossas craques; da imprensa transmitir, divulgar e informar sobre as competi&#231;&#245;es; do torcedor lotar as arquibancadas para prestigiar as bel&#237;ssimas exibi&#231;&#245;es, n&#227;o apenas quando a vit&#243;ria vale a medalha de ouro. 

&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Se n&#227;o mudar... bem, a&#237; as pessoas v&#227;o continuar fazendo pouco caso da habilidade incontest&#225;vel dessas meninas, a dar ouvidos para os ignorantes que estufam o feito para repetir a bestialidade de que &#34;futebol p&#233; coisa para macho&#34; e ser jogadora de futebol no Brasil continuar&#225; sendo um ato isolado de otimismo; ou de amor.
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			<link>http://petoledo.blog.terra.com.br/o_futebol_feminino</link>
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			<title>O FUTEBOL EUROPEU</title>
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Espanhol aonde???

&#160;&#160;&#160; O brasileiro Robinho tocou a bola para o argentino Higua&#237;n, que rolou para o meio da &#225;rea e o espanhol Reyes completou para o fundo do gol. A jogada descrita n&#227;o faz parte de um comercial de televis&#227;o, uma partida bneficiente reunindo&#160;&#160;craques de todo o planeta ou mesmo uma exibi&#231;&#227;o da sele&#231;&#227;o mundial. Trata-se do gol de empate do Real Madrid contra o Mallorca, na partida em que o time merengue sagrou-se campe&#227;o espanhol.&#160;&#160;&#160; Dos onze jogadores que iniciaram o confronto pela equipe madrilena, apenas Casillas, Michel Salgado, Sergio Ramos e Raul, o capit&#227;o, s&#227;o espanh&#243;is. Os outros sete em campo no momento do apito inicial eram estrangeiros, sendo tr&#234;s brasileiros (Roberto Carlos e &#201;merson s&#227;o os outros), um italiano, um ingl&#234;s, um holand&#234;s e at&#233; um malin&#234;s, o volante Diarra. Mesmo na arquibancada, o casal de astros estadunidenses Tom Cruise e Katie Holmes vibrava com o time de Capello e internacionalizava ainda mais a conquista. &#160; Com todo respeito ao nacional da Espanha, que foi emocionante at&#233; a &#250;ltima partida, seu campe&#227;o pode ser tudo, menos espanhol.
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; H&#225; quem exalte esta salada mixta de p&#225;trias e origens, enaltecendo os efeitos da globaliza&#231;&#227;o. 'Se o planeta n&#227;o tem mais fronteiras, por que o mundo da bola haveria de ter?', se perguntam. E assim, naturalizam o &#234;xodo&#160; desenfreado de craques para os grandes clubes europeus, se esquecendo que a globaliza&#231;&#227;o tem um custo. Que costuma ser alto.&#160;&#160;&#160; Primeiro porque n&#227;o &#233; universal. Contempla a poucos, serve apenas a uma minoria, apesar de se travestir em direito amplo e irrestrito. Evidentemente qualquer time pode contratar &#237;dolos de outras naturalidades, se quiser. E se tiver dinheiro. Dinheiro para enviar olheiros para outros pa&#237;ses, dinheiro para sustentar uma estrutura que permita receber esses 'imigrantes', dinheiro para atrair e pagar os sal&#225;rios (que precisam minimamente ser mais altos dos que o boleiro recebia em seu pa&#237;s de origem). E o que &#233; pior, dinheiro para concorrer com as ofertas das grandes pot&#234;ncias econ&#244;micas do universo esportivo.&#160;&#160;&#160; O resultado disto &#233; que&#160;os times com menor poder aquisitivo (que curiosamente se concentram em sua maioria na Am&#233;rica do Sul, com destaque para aquele paisinho verde-e-amarelo) assistem impotentes &#224; evas&#227;o de seus principais atletas. E este &#233; o segundo pre&#231;o que se paga por um mercado interplanet&#225;rio, que se auto-regula e ultrapassa os limites territoriais.&#160;&#160;&#160; Cada vez que se abre a janela de transfer&#234;ncia para o futebol europeu, os times brasileiros s&#227;o violentamente amputados. E isso pode acontecer nos per&#237;odos de pr&#233;-temporada nacional ou em meio &#224;s competi&#231;&#245;es, j&#225; que os cameponatos do outro lado do Atl&#226;ntico terminam no meio do ano, quando os nossos ainda est&#227;o em andamento. A Fifa bem que tentou propor o debate sobre a t&#227;o unifica&#231;&#227;o dos calend&#225;rios, mas se amedrontou diante da recusa euf&#243;rica dos donos da grana.&#160;&#160;&#160; Assim, perde o torcedor latino-americano, que v&#234; seus torneios serem enfraquecidos pela evas&#227;o de grandes jogadores e tem que se contentar com disputas med&#237;ocres, muito aqu&#233;m da grandeza incontest&#225;vel de seu futebol. Mas perdem tamb&#233;m as sele&#231;&#245;es dos pa&#237;ses europeus, j&#225; que os clubes s&#227;o povoados por craques das mais variadas na&#231;&#245;es e muito poucos s&#227;o revelados em territ&#243;rios nacionais. (A It&#225;lia foi campe&#227; do mundo, &#233; verdade, mas verdade seja dita: essa Copa na Alemanha n&#227;o deve ser refer&#234;ncia para ningu&#233;m...).&#160;&#160;&#160; Por isso, conclamo os europeus a se somarem na &#225;rdua miss&#227;o de convencer a Fifa de que &#233; necess&#225;rio imp&#244;r o limite ao n&#250;mero de jogadores estrangeiros nos clubes. &#201; uma forma de assegurar que suas p&#225;trias amadas revelem talentos e sejam bem representadas perante o globo terrestre nas competi&#231;&#245;es internacionais. Abra&#231;ar esta causa &#233;, pois, um dever patri&#243;tico. Mais que isso, representa a verdadeira globaliza&#231;&#227;o: a do bom senso. Que todos no mundo se unam na corrente pela nacionaliza&#231;&#227;o de seus atletas e no investimento de solu&#231;&#245;es caseiras para a crise no futebol mundial. Torcedores de todo o mundo, uni-vos!</description>
			<link>http://petoledo.blog.terra.com.br/o_futebol_europeu</link>
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			<title>OS P&#202;NALTIS</title>
			<description>Senten&#231;a

&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Priiiiiiiiiiiii!, apita o juiz, o jogo acabou. Empate. E agora, quem &#233; o campe&#227;o? Quem &#233; que vai levantar a ta&#231;a e dar a volta ol&#237;mpica? Qual &#233; a equipe que vai posar para a foto que se tornar&#225; p&#244;ster e estampar&#225; as capas dos principais jornais no dia seguinte? De qual time ser&#225; o jogador que conceder&#225; entrevista na condi&#231;&#227;o de her&#243;i do jogo e ir&#225; chorar emocionado diante das c&#226;meras agradecendo ao apoio da fam&#237;lia, da torcida e de Deus? Afinal, qual das duas torcidas que se insultam incansavelmente em lados opostos das arquibancadas vai festejar at&#233; o dia amanhecer?&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Ciente da necessidade de eleger um campe&#227;o, o &#225;rbitro convoca para junto de si o capit&#227;o de cada equipe. &#8221;Eu quero cara&#8221;. &#8220;T&#225;, ent&#227;o eu sou coroa&#8221;. A moeda &#233; arremessada ao c&#233;u. Cara-coroa-cara... o mundo d&#225; mil voltas. Segundos com sabor de eternidade. A pequena placa met&#225;lica que rodopia pelos ares significa o &#234;xtase ou a maldi&#231;&#227;o de duas multid&#245;es devotas que t&#234;m naquela utopia a sua raz&#227;o de viver. Significa tamb&#233;m a gl&#243;ria ou a desgar&#231;a dos jogadores, a consagra&#231;&#227;o ou o fracasso moraldo treinador, a coroa&#231;&#227;o ou a demoli&#231;&#227;o do trabalho que em muitas vezes se deu a duras penas.&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; A moeda n&#227;o baila sozinha pelo espa&#231;o. Carrega consigo a campanha impec&#225;vel do time na competi&#231;&#227;o, a longa seq&#252;&#234;ncia de partidas invictas, o topo da tabela de classifica&#231;&#227;o em todas as rodadas, a soma majorit&#225;ria de pontos durante o torneio. Carrega a hist&#243;ria do clube, as tantas derrotas amargadas, as outras tantas vit&#243;rias extravasadas, todos her&#243;is santificados ou sacrificados, cada torcedor que, qualquer que seja sua l&#243;gica, abdicou de si pr&#243;rpio em nome daquela paix&#227;o. Se cair a face errada, ser&#225; o fim. Ter&#225; sido tudo em v&#227;o.&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; E cada vez mais pesada com as responsabilidades que herda, a moeda vai perdendo a sua for&#231;a. As voltas no ar v&#227;o diminuindo at&#233; que o espet&#225;culo chega ao fim. Todos os olhos do mundo est&#227;o fixos na mesma dire&#231;&#227;o. E eis que o juiz destapa a face que consagrar&#225; o vencedor. Deu... cara. O time A &#233; o campe&#227;o! Euforia de um lado e dor do outro. O campeonato acabou e o time A levou o caneco. Fim. Nada mais pode ser feito, foi assim que o C&#233;u quis.&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; O jogador que escolheu coroa, coitado, &#233; massacrado. Decis&#227;o infeliz a dele. Os insultos v&#234;m de todos os lados: torcedores, imprensa, treinador e at&#233; os companheiros de equipe, que travestem a raiva pela perda do t&#237;tulo em palavras de apoio. &#8220;Fica assim n&#227;o, acontece. S&#243; erra o 'cara-ou-coroa' quem arrisca&#8221;. E agora, como ser&#225;? Com que 'cara' sair &#224;s ruas no dia seguinte? Como encarar os pr&#243;prios filhos quando chegar em casa. Haver&#225; a oportunidade de um dia ressarcir o clube pelo vexame?&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; &#201; evidente que uma decis&#227;o de campeonato n&#227;o pode ser destinada aos caprichos de uma moeda. Ao jogo de 'sorte ou azar'. Mas a partida terminou empatada e a Federa&#231;&#227;o n&#227;o aceita dois campe&#245;es. Nem a torcida. Marcar um novo confronto (quem sabe os dois times n&#227;o sa&#237;ssem do 0 a 0...) tamb&#233;m n&#227;o d&#225;: n&#227;o haveria data no calend&#225;rio esportivo. E, ademais, se o empate se perpetuasse os advers&#225;rios se enfrentariam eternamente? &#201; invi&#225;vel. Ent&#227;o, se os homens sozinhos n&#227;o souberam definir o campe&#227;o, deixa que os deuses definem (eles ou quem quer seja o controlador do acaso).

&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Digo tudo isso para defender a aboli&#231;&#227;o da decis&#227;o de campeonatos em cobran&#231;as de p&#234;naltis. Tudo bem que a convers&#227;o de penalidades &#233; menos casu&#237;stica que o cara-ou-coroa, porque envolve a prepara&#231;&#227;o, o treino de chutes, o estudo do estilo de cobran&#231;a do advers&#225;rio e a consci&#234;ncia de que, sen&#227;o totalmente, ao menos uma parcela do poder de defini&#231;&#227;o est&#225; na esfera terrena. Nas m&#227;os dos homens e n&#227;o dos c&#233;us. Mas h&#225; que se considerar a influ&#234;ncia emocional no momento da disputa, pois como bem disse o fabuloso Didi, autor da folha-seca: &#34;treino &#233; treino. Jogo &#233; jogo&#34;.&#160;&#160;&#160; Um bom exemplo para ilustrar essa interfer&#234;ncia do transcendental &#233; o contraste entre o campe&#227;o paulista e o carioca (novamente esse antagonismo...). Na Terra da Garoa, o Santos tinha a vantagem de jogar por dois empates ou se beneficiar com os resultados iguais. Como perdeu o primeiro embate ante o S&#227;o Caetano por 2 a 0, mas triunfou no segundo pelo mesmo placar, sua supremacia ao longo da competi&#231;&#227;o foi determinante para lhe assegurar a ta&#231;a.&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; J&#225; na Cidade Maravilhosa, o regulamento n&#227;o previa a premia&#231;&#227;o da melhor seq&#252;&#234;ncia no caso de indefini&#231;&#227;o do placar. Assim, a soberania da campanha botafoguense ruiu quando, ap&#243;s dois empates com o Flamengo (ambos em 2 a 2), Lucio Flavio e Juninho desperdi&#231;aram suas covers&#245;es de p&#234;naltis. O caneco foi para a G&#225;vea.&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; De qualquer forma, considero a disputa em p&#234;naltis uma pr&#225;tica obscena bem menos por uma poss&#237;vel injusti&#231;a no resultado (j&#225; que sou defensora ferrenha da f&#243;rmula de mata-mata e isso seria uma incoer&#234;ncia injustific&#225;vel), do que pela tortura mental que ela significa. Ao torcedor, ao t&#233;cnico, ao atleta.&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Ao torcedor pela expectativa, pela imprevisibilidade em fra&#231;&#245;es de segundo, pelo medo de se deparar com a verdade na impossibilidade de fugir dela. Prova disso &#233; que muitos sequer conseguem assistir &#224;s cobran&#231;as. Ao t&#233;cnico pela sensa&#231;&#227;o de impot&#234;ncia, pelo encolhimento diante do inevit&#225;vel, pela impossibilidade de proteger seus meninos. E ao atleta pelo tribunal que se instaura no est&#225;dio, pelo juri impiedoso das arquibancadas, pela demoli&#231;&#227;o moral do fracasso, pela senten&#231;a irrecorr&#237;vel aos carrascos do futebol: a mem&#243;ria coletiva.</description>
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			<title>O CARIOCA</title>
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Rio X Sampa 
          
        
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Na condi&#231;&#227;o de paulista que mora no Rio de Janeiro, me sino &#224; vontade para comparar os dois campeonatos que, cada qual a seu modo, muito me fascinam. E a exemplo do que acontece com os pr&#243;prios Estados, o que me toca em cada um deles &#233; justamente a diferen&#231;a entre um e outro. No Rio de Janeiro gosto de contemplar as maravilhas naturais. Em S&#227;o Paulo, de desfrutar dos encantos artificiais. No futebol carioca eu aprecio os grandes, que quando se enfrentam materializam o conceito de Cl&#225;ssico. No paulista, os pequenos, que constantemente surpreendem e d&#227;o forma &#224; id&#233;ia de zebra. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Cl&#225;ssico e Zebra s&#227;o dois ingredientes indispens&#225;veis no esporte bret&#227;o. Sem eles a receita inevitavelmente desanda, e o futebol fica insoso. &#211;bvio demais. Evidente demais. Previs&#237;vel demais. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Sim, &#233; claro que a hist&#243;ria do Carioca est&#225; repleta de Zebras, assim como a trajet&#243;ria do Paulista inclui in&#250;meros Cl&#225;ssicos. Coisas da vida. Mas nos &#250;ltimos tempos os grandes do Rio se equivalem, enquanto em S&#227;o Paulo o time hom&#244;nimo e o Santos levam vantagem (prova disso s&#227;o os tabus). No Rio os pequenos pouco aparecem e quase n&#227;o revelam talentos, mas em Sampa vez ou outra desbancam os favoritos (evid&#234;ncia disso s&#227;o as conquistas na Copa do Brasil e o Brasileiro do Guarani em 1978). &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; O primeiro jogo das finais de cada Estado ilustra bem isso: um embate de arrepiar de um lado, e uma saborosa surpresa de outro (os santistas naturalmente devem discordar...). E n&#227;o importa o que aconte&#231;a no pr&#243;ximo domingo, isto &#233;, se o Cl&#225;ssico ou a Zebra estar&#227;o em campo novamente, eles j&#225; assinaram seus nomes nas competi&#231;&#245;es e nos ensinaram mais uma vez que o futebol transcende a l&#243;gica. Mas, se quiserem dar as caras outra vez, ser&#227;o muito bem-vindos.
 

 

Cl&#225;ssico &#233; Cl&#225;ssico. E vice-versa 
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Imagine um jogo onde tudo pode acontecer. Onde a &#250;nica certeza &#233; a do espet&#225;culo e ele sim, confirmou seu favoritismo. Imagine um duelo recheado de gols, bolas na trave, rea&#231;&#245;es no minuto final de jogo, viradas sobre viradas, surpresas, tabus, revanches, recordes a serem alcan&#231;ados e muita emo&#231;&#227;o. L&#225;grimas que se transformam em risos e certezas que se traduzem d&#250;vidas. Imagine um confronto com belas jogadas, toques de classe, dribles desconcertantes, gols de encher os olhos. Em que bola &#225; tratada com intimidade por quem fala o mesmo idioma. Imagine um embate onde uma multid&#227;o apaixonada se espreme atr&#225;s do alambrado com cora&#231;&#245;es pulsando a mil. Torcendo com a alma. Sim, voc&#234; est&#225; diante de um Cl&#225;ssico.&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Os confrontos entre os grandes do Rio nesta temporada foram qualquer coisa de muito lindo, de muito m&#225;gico. Verdadeiras d&#225;divas. Somaram, ao todo, oito encontros. E a el&#225;stica marca de 33 gols, fora as disputas de p&#234;nalti. Mais de quatro gols por partida. Jogos para entrar na Hist&#243;ria, sem d&#250;vida. Botafogo e Flamengo abriram a s&#233;rie de Cl&#225;ssicos com chave de ouro: 3 a 3. Deram logo seu recado: cl&#225;ssico &#233; cl&#225;ssico. Com direito a virada e gol de placa. Fluminense e Vasco acharam pouco tr&#234;s gols para cada. Queriam mais: 4 a 4. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; A&#237; vieram as semifinais da Ta&#231;a Guanabara e a promessa de um jogo dram&#225;tico. A expectativa se confirmou e o empate em um gol levou a decis&#227;o para os p&#234;naltis: Fla 3 a 1 Vasco. E d&#225;-lhe tabu. J&#225; pela Ta&#231;a Rio, o Fluminense desperdi&#231;ou um p&#234;nalti e perdeu o jogo para o Botafogo por 1 a 0. Prova de quem nesse tipo de jogo o erro custa caro. Depois foi a vez do Gigante da Colina lavar a alma: 3 a 0 contra o algoz Rubro-Negro. Eis a reden&#231;&#227;o vasca&#237;na. O Tricolor tamb&#233;m carimbou a faixa de campe&#227;o da Ta&#231;a Guanabara conquistada pelo Flamengo: 2 a 1. Mas n&#227;o foi de qualquer jeito n&#227;o, foi de virada e com um gol aos 48 do segundo tempo. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; E a festa prosseguiu. Botafogo 2, Vasco 0, e Rom&#225;rio sem o mil&#233;simo gol. Isso &#233; para aprender que em Cl&#225;ssico n&#227;o existem coadjuvantes, s&#243; protagonistas. J&#225; deveriam saber disso. Semifinais e novamente o Glorioso e Gigante se viram frente a frente. A chance da vingan&#231;a. N&#227;o aconteceu (nem o troco e nem o tal gol mil; por cent&#237;metros). No jogo 4 a 4 e dez de cada lado, nos p&#234;naltis 4 a 1 Fog&#227;o. Nascia a&#237; o campe&#227;o. &#160;&#160;&#160; Enfim, &#233; como dizem por a&#237;: &#8220;Cl&#225;ssico &#233; Cl&#225;ssico, e vice-versa&#8221;. A origem da frase &#233; controversa, sua profecia &#233; atribu&#237;da aos mais variados personagens mas, afinal, quem se importa com a imprecis&#227;o de algumas palavras diante da insensatez de um Cl&#225;ssico? N&#227;o importa quem criou a frase &#8211; e tampouco os Cl&#225;ssicos. O que vale s&#227;o os gols, a emo&#231;&#227;o, o riso e choro que se alimentam desse imprevisto que s&#243; mesmo o futebol &#233; capaz de proporcionar em doses t&#227;o embriagantes. Se eu fosse presidente, decretaria dia de Cl&#225;ssico como feriado nacional. E n&#227;o quanto a isso eu n&#227;o negocio.</description>
			<link>http://petoledo.blog.terra.com.br/o_carioca</link>
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