| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 3 | ||||
| 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 |
| 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 |
| 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 | 24 |
| 25 | 26 | 27 | 28 | 29 |
Meninos de Ouro
"Sabemos o que somos, mas não o que podemos ser."
(William Shakespeare)
Não há uma fórmula universal, absoluta ou insuperável para a vitória no futebol – e tampouco na vida. Ela é alcançada das mais diversas formas, muitas vezes sem nem mesmo ser merecida. Mas uma coisa é inquestionável: investir nas categorias de base costuma proporcionar gratas recompensas. Em outras palavras, se não é a receita para o sucesso, pode-se dizer que acreditar nos meninos é ingrediente indispensável para alcançá-lo.
A conquista do Campeonato Sul Americano pela seleção brasileira sub-20 nos leva a essa reflexão. Tudo bem que a rapaziada de Nélson Rodrigues não nos proporcionou um futebol convincente, capaz de encher os olhos do torcedor. Mas cumpriu seu papel – garantiu a vaga nas Olimpíadas de Pequim, em 2008 – e realçou jovens talentos como Alexandre Pato, Lucas, Luís Adriano, Cássio e Tchô. Enfim, uma geração que tem tudo para ser vitoriosa e trazer infindáveis alegrias ao povo brasileiro. É só uma questão de tempo.
Aí é que mora o problema, porém. Afinal, tempo é uma palavra que não cabe no vocabulário inquieto desses adolescentes cheios de sonhos e hormônios, ansiosos em brilhar nos gramados. A palavra tempo também é desconhecida pelos cartolas, cujos olhos brilham só de pensar nas cifras que as "descobertas" significam. E o resultado disso é que os garotos são precocemente promovidos à profissionais, mesmo que a subida para o time principal não seja sustentável e depois de um tempo seja preciso rebaixa-los novamente.
Claro que a História está repleta de exemplos de meninos prodígios. Pelé, na Copa de 58, fascinou o mundo com apenas 17 anos. Mas o Rei do Futebol é, evidentemente, uma exceção. Nesta idade o garoto não desenvolveu todas as suas potencialidades técnicas, nem assimilou os conceitos táticos e mesmo seu corpo ainda está em formação, assim como a sua estrutura emocional.
E a falta de amadurecimento é sentida quando, não raro, esses talentos juvenis são tomados pelo deslumbramento ante a exaltação da torcida e se esquecem de jogar futebol – situação popularmente conhecida como salto alto. Ou, no outro extremo do problema, quando os rapazinhos não sabem lidar com a pressão impiedosa vindas das arquibancadas e se desmoronam. Se anulam com medo de tocar na bola e terem que encarar a fúria emanada do outro lado do alambrado.
Outro perigo destas épocas de safra de jovens talentos – geralmente durante a disputa da Copa São Paulo – é o ataque dos clubes estrangeiros, essas pragas que rondam nossos meninos oferecendo-lhes dinheiro, sucesso e competições organizadas. A revoada dos jogadores sul-americanos para o Velho Continente é cada vez mais precoce e muitos atletas saem sem jamais terem atuado profissionalmente em sua própria pátria. Recentemente o Atlético de Madrid escandalizou o mundo da bola ao confirmar interesse pelo argentino Martín Acevedo, do Boca Juniors, de apenas 12 anos.
Quem perde com isso é o torcedor latino, que vê suas competições nacionais sendo enfraquecidas pela evasão de seus principais protagonistas. Que é privado de conferir a habilidade desses ídolos precoces em solos nacionais. E que se contenta com a migalha de se deliciar com o futebol desses meninos à distância, pelas telas dos canais pagos da televisão. E tudo isso porque não se pode competir financeira ou administrativamente com os clubes estrangeiros, embora vençamos, indiscutivelmente, quando o assunto é renovação de craques.
criado por petoledo
21:12:37